CORRENTE DO BEM

ONG promove financiamento coletivo para documentário sobre câncer

A ONG Além da Cura quer percorrer o mundo atrás de histórias de mulheres com câncer

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 30/05/2018 às 10:53
Foto: Divulgação
A ONG Além da Cura quer percorrer o mundo atrás de histórias de mulheres com câncer - FOTO: Foto: Divulgação
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A confirmação de que o nódulo no seio descoberto através do autoexame era mesmo câncer, deixou a aposentada Mônica Limeira Duarte, 56 anos, sem chão. O diagnóstico foi dado em 2010 e  pegou a família inteira de surpresa, já que não havia casos semelhantes entre os familiares.  Foi na informação sobre a doença e no contato com pacientes e médicos que ela arranjou forças para entender que aquele não seria o fim. Agora, seu testemunho terá o poder de  alcançar outras mulheres ao redor do mundo. Mônica é uma das personagens do documentário que está sendo gravado pela ONG Além da Cura. Mas, para tornar o projeto realidade, a organização precisa de uma corrente do bem.  

O filme está em fase de produção. No documentário, que leva o nome da ONG, serão entrevistadas mulheres de todos os continentes. A primeira parte teve início em 2015. Na época, o projeto reuniu mais de 600 apoiadores através de financiamento coletivo e levantou R$ 50 mil para dar início às gravações. Desde então, 30 mulheres de cinco países – Brasil, Argentina, Portugal, França e Alemanha –  foram entrevistadas. Agora, a organização precisa arrecadar R$ 86, mil para dar continuidade ao trabalho, ouvindo pacientes na África, Ásia e Oceania.  

Além da vaquinha online, o projeto também está promovendo um show beneficente, que contará com apresentações de  Nena Queiroga, Irah Caldeira, Isaar e Victor Camarotes. O evento acontece no Teatro Apolo, no dia 6 de junho. O ingresso custa R$ 30,00 e pode ser comprado online pelo site: www.catarse.me/alemdacura ou no dia do show. 

O objetivo do projeto é desmitificar a doença e empoderar as mulheres. “Escolhemos contar as histórias de mulheres porque o enfrentamento, para elas, é muito diferente. Um homem careca não carrega o estigma de uma mulher que perdeu o cabelo após o tratamento”, explica Bruna Monteiro, idealizadora do projeto. A ideia de percorrer o mundo atrás de depoimentos de brasileiras e nativas dos diferentes países veio da percepção de que o olhar da sociedade influencia o enfrentamento da doença. “Na América Latina, as mulheres têm a questão de ter cabelo comprido. Na Europa, isso já não é tão forte. Queremos entender como o olhar do outro influencia. Como seria para uma mulher que usa burca, por exemplo, passar por isso?”. 

SEM MEDO

Mônica, que enfrentou dois anos de tratamento e venceu o câncer de mama, descobriu, no início do ano, um novo nódulo, dessa vez na parótida. Mas o câncer não a assusta. “Já conheço o caminho, conheço o câncer e o tratamento, nada me dá medo. A minha vida não está parada, tenho muitos planos e não me vejo em um cemitério.” É essa a mensagem que a aposentada quer levar a outras mulheres. “O câncer não é sinônimo de morte. É uma mudança no estilo de vida. Ele te transforma completamente.” 

“É esse novo olhar sobre a vida que queremos estimular. Nosso objetivo é ligar a luz, não diminuir ou aumentar o problema. Câncer não é só tristeza”, completa Bruna. Segundo ela, a expectativa é de que o documentário seja lançado em outubro de 2019. Mas, para isso, é preciso correr contra o tempo. A vaquinha online vai até 10 de junho e, até o momento, arrecadou somente 26% do valor necessário. Para doar, basta acessar https://www.catarse.me/alemdacura. Recompensas, como camisetas, nome nos créditos do longa-metragem e ingressos para a estreia do filme, são oferecidas de acordo com o valor doado.   

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