Revisão

Última plenária para discutir Plano Diretor do Recife é nesta quinta

No encontro da terça houve protesto e participantes não conseguiram debater propostas

Margarette Andrea
Margarette Andrea
Publicado em 28/06/2018 às 7:53
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No encontro da terça houve protesto e participantes não conseguiram debater propostas - FOTO: Divulgação
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A última das seis plenárias programadas pela Prefeitura do Recife para discutir a revisão do Plano Diretor da cidade acontece às 18h desta quinta, na Escola Municipal Darcy Ribeiro, no Cordeiro, Zona Oeste do Recife, sendo convidados moradores dos demais bairros vizinhos que compõem a Região Político-Administrativa 4 – Ilha do Retiro, Iputinga, Madalena, Prado, Torre, Zumbi, Engenho do Meio, Torrões, Caxangá, Cidade Universitária e Várzea. Anteontem, o encontro organizado na Escola Liceu Nóbrega, na Boa Vista, Centro (RPA-1), foi suspenso após protesto de um grupo que se intitulou Agentes Comunitários do Coque, contrário ao formato e prazo de discussão.

“Esse processo é uma farsa! Já está tudo preparado”, gritavam os manifestantes, que ergueram faixas e cartazes e utilizaram um buzinaço para impedir o debate. “A gente lamenta, repudia esse tipo de comportamento, inclusive liderado por conselheiros do Conselho da Cidade”, declarou o presidente do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS, órgão responsável pela revisão), João Domingos, na página do Plano Diretor no Facebook.

Lembrando que o conselho aprovou o cronograma de escutas, o gestor defendeu que as manifestações são legítimas, mas que é preciso garantir a participação de quem sai de casa para discutir sua cidade. Outras pessoas também se posicionaram contra o protesto, no vídeo, classificando-o de “vandalismo”, “baderna” e “desrespeito”. Houve indignação até de gente do bairro de onde surgiu o movimento. “Quem faz isso não quer maior participação, quer anarquizar”, disse André Luiz, do Clube Comunitário do Coque.

“A Articulação Recife de Luta declara todo o apoio ao grupo do Coque, que conseguiu afirmar seu posicionamento e suspender uma ação fraudulenta e sem nenhuma legitimidade”, postou em sua página do Facebook o movimento que acionou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por maior participação. O órgão abriu inquérito civil e deu prazo de dez dias para a prefeitura comprovar as devidas escutas.

INVIÁVEL

“Não organizamos o protesto, mas concordamos que o prazo é inviável para discutir, elaborar e aprovar o Plano Diretor do Recife. A prefeitura deveria aproveitar a chamada do Ministério Público e tentar construir um novo calendário que satisfaça a todos. Em Ipojuca, no Grande Recife, a mesma consultoria que presta serviço ao Recife levou mais de um ano na revisão”, observou um dos membros da Articulação, Felipe Cury, ex-diretor de habitação da cidade.

Também nesta quinta, a partir das 12h30, mais de 30 entidades da sociedade civil ligadas ao setor da construção e ao mercado imobiliário se encontram para debater o Plano Diretor, na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon), na Ilha do Leite, área central. O debate foi marcado pela Rede Empresarial de Articulação da Construção Urbana (Redeprocidade), formada por membros do Sinduscon e da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE). A ideia é validar pontos a serem defendidos na revisão.

O Plano Diretor é um conjunto de estratégias e diretrizes para nortear o desenvolvimento urbano da cidade, devendo ser revisto a cada dez anos. O último é de 2008. Junto com ele, estão sendo revistas outras seis normas urbanísticas.

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