Patrimônio

Patrimônio histórico de Pernambuco sofre com descaso

Tombados como patrimônio histórico, o Engenho São João, o Engenho Monjope e a casa rural do ex-governador José Rufino são de propriedade do Estado

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 09/09/2018 às 8:08
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Tombados como patrimônio histórico, o Engenho São João, o Engenho Monjope e a casa rural do ex-governador José Rufino são de propriedade do Estado - FOTO: Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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O único engenho de cana-de-açúcar de Pernambuco que ainda conserva todas as edificações, em Igarassu, não tem mais portas nem janelas. No Cabo de Santo Agostinho, a residência de campo do ex-governador José Rufino, com decoração no estilo art nouveau, vem caindo aos pedaços. E a casa-grande de um engenho do século 17, em Itamaracá, onde nasceu o abolicionista que redigiu a Lei Áurea, está sendo devorada pelo mato. Todos são tombados como patrimônio histórico estadual.

Desocupados, avariados e ameaçados por infestação de cupins, os casarões bem que poderiam receber melhor tratamento. Além de serem reconhecidos como patrimônio histórico de Pernambuco, eles pertencem ao Estado. Como proprietário, o governo deveria cuidar do Engenho São João, na Ilha de Itamaracá; da casa rural de José Rufino, no Cabo; e do Engenho Monjope, em Igarassu, situados na Região Metropolitana do Recife.

O Estado apresentou, em 2012, projeto para transformar o Engenho Monjope em um Centro de Referência Cultural e Turística e fazer do Engenho São João um Centro de Referência Cultural e Ecológica. Passados seis anos nada foi implantado. A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), responsável por Monjope, alega falta de recursos para executar a obra.

Se a proposta tivesse vingado, a casa-grande do engenho de Igarassu recenderia a bolos e doces. E não ao mofo das paredes. O projeto previa uma doceria no térreo para oferecer aos visitantes produtos da culinária nordestina, como alfenim, rapadura, manuê, bolo de rolo, cuscuz e tapioca. O primeiro pavimento teria restaurante, cibercafé e minicentro de convenções, no lugar de cipós que descem pelo telhado.

Sem o Centro de Referência Cultural e Turística, a senzala não se converteu numa pousada para 55 hóspedes; a fábrica não abriga o receptivo com cozinha industrial, salão de festa, salão multiuso e escola para formação de maître, garçom e camareira; a Capela de São Pedro não abre para celebrações religiosas; e a antiga casa do capitão-do-mato não expõe peças museológicas. A intervenção custaria R$ 6 milhões.

Estado

Procurada para falar sobre o assunto, a Fundarpe optou por responder pela assessoria de imprensa. Informa que a proposta foi aprovada pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur II), com promessa de recursos. Porém, o dinheiro nunca chegou a ser liberado. Com as novas ocupações, o engenho teria uma atividade sustentável e seria capaz de se manter, garantindo a preservação do patrimônio histórico. Sem entrar em detalhes, a fundação avisa que pretende ir em busca de orçamento para viabilizar a ideia.

A Fundarpe não se pronunciou sobre o projeto do turismo histórico e ambiental para o Engenho São João, avaliado em quase R$ 6 milhões no ano de 2012. O plano era dar novos usos ao casarão tombado, à fábrica (onde se fazia o açúcar) e às outras edificações construídas no terreno no século 20 para atividades desenvolvidas com reeducandos pela Penitenciária Agrícola de Itamaracá.

O Engenho São João está vinculado à Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres-PE), que não informou qual será o destino da casa-grande. Única edificação tombada como patrimônio histórico da propriedade, nela nasceu o conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, em 12 dezembro de 1835, no século 19. Segundo a assessoria de imprensa da Seres, os prédios mais novos continuam sendo usados para produção de trabalhos artesanais de reeducandos do sistema prisional.

Abandonada na área rural do Cabo de Santo Agostinho, a casa do ex-governador José Rufino é de propriedade do Estado desde 1960, informa a Fundarpe. Na época da abertura do processo de tombamento estadual, em 1985, o imóvel estava cedido pela Companhia de Desenvolvimento Industrial de Pernambuco, em regime de comodato, ao Clube de Campo dos Industriais do Cabo, uma sociedade civil, como consta nos arquivos da Fundarpe.

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