Feminicídio

Projeto #UmaPorUma é destaque no Fórum de Segurança Pública

Encontro reuniu, durante três dias, especialistas brasileiros e estrangeiros, policiais, gestores públicos, integrantes do sistema de justiça criminal e sociedade civil

Da editoria de Cidades
Da editoria de Cidades
Publicado em 05/08/2019 às 12:13
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Foto: Dennison Vasconcelos
Encontro reuniu, durante três dias, especialistas brasileiros e estrangeiros, policiais, gestores públicos, integrantes do sistema de justiça criminal e sociedade civil - FOTO: Foto: Dennison Vasconcelos
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O especial multimídia #UmaPorUma, que contabilizou todos os assassinatos de mulheres registrados em Pernambuco em 2018, foi um dos projetos apresentados no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, encerrado na última sexta-feira, em João Pessoa, capital da Paraíba. A iniciativa do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) teve destaque na mesa que debateu o papel da mídia na cobertura da violência. O projeto, inédito na imprensa brasileira, contabilizou 241 assassinatos ocorridos no ano passado, dos quais 83 foram feminicídios.

O acompanhamento processual de todos os casos, desde a instauração do inquérito policial até o julgamento dos agressores, é um dos pontos mais relevantes do trabalho feito pelo coletivo de 31 jornalistas mulheres do SJCC. "O monitoramento de cada um dos casos, até que haja a condenação dos acusados, é fundamental para revelar o nível de impunidade que ainda envolve esses homicídios. Em um ano do projeto, apenas quatro crimes tinham sido julgados", destacou a editora-executiva do Jornal do Commercio e uma das coordenadoras do #UmaPorUma, Ciara Carvalho.

Em sua apresentação, a jornalista explicou que o grupo está fazendo o levantamento das informações da atual fase processual dos casos para publicar uma nova atualização do projeto, em relação aos seis primeiros meses deste ano. No encontro, Ciara Carvalho discutiu o papel da imprensa na cobertura da violência com Edu Carvalho, da Rede Globo; Luís Adorno, do UOL; Aline Ribeiro, do jornal O Globo e Pedro Borges, da agência de notícias Alma Preta.

PALESTRANTES

A 13ª edição do Fórum Brasileiro de Segurança Pública contou com a participação de mais de 120 palestrantes em 27 atividades, como workshops, mesas de discussão e conferências. O encontro reuniu, durante três dias, especialistas brasileiros e estrangeiros, policiais, gestores públicos, integrantes do sistema de justiça criminal e sociedade civil.

Realizado pela segunda vez no Nordeste, o evento promove um diálogo entre os vários setores que atuam na área da segurança, em busca de soluções para o enfrentamento da violência. “É um espaço para fortalecer as discussões em torno das políticas públicas de segurança. Compartilhar as experiências que estão dando certo nos Estados e municípios, avaliar e corrigir os erros. Porque é essencial fortalecer a política pública. Quando a gente desiste dela, estamos desistindo da democracia também", afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum.

PROPOSTAS

“Esse é o evento mais importante no Brasil na área de segurança pública. Daqui sairão propostas para os gravíssimos problemas da criminalidade no País”, apontou o ex-ministro de Segurança Pública Raul Jungmann, que participou da mesa sobre os desafios para implementação do Sistema Único Segurança Pública (Susp), aprovado no ano passado. “É o marco regulatório da política de segurança, uma área que sempre enfrentou a descontinuidade das ações. Espero que o fórum consiga dar impulso e ajude a tirar do papel as medidas previstas pelo Susp”, reforçou Jungmann.

Em outro debate, que discutiu a presença das milícias nas comunidades brasileiras, o deputado federal do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL) afirmou que a milícia é o que existe de mais organizado, entre os grupos criminosos, porque não só domina o território e produz lucro sobre o crime, mas tem projeto de poder. “A milícia é um dos poucos grupos que conseguem transformar domínio territorial em domínio eleitoral e eleger prefeitos, deputados, senadores”, declarou o parlamentar, que é membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados.

#UmaPorUma

A violência contra a mulher é constante e frequentemente acaba em tragédia. Existe uma história para contar por trás de cada feminicídio, em Pernambuco. O especial Uma por uma contou todas. Em 2018, o projeto mapeou onde as mataram, as motivações do crime, acompanharam a investigação e cobraram a punição dos culpados. Um banco de dados virtual, com os perfis de vítimas e agressores, além dos trágicos relatos que extrapolam a fotografia da cena do crime. Confira o especial Uma por Uma.

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