CAMARAGIBE

MPPE convoca reunião para discutir situação dos moradores da FOP

As 84 famílias que residem dentro da área da faculdade, em Tabatinga, cobram ajuda do governo estadual

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 05/12/2019 às 9:31
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Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
As 84 famílias que residem dentro da área da faculdade, em Tabatinga, cobram ajuda do governo estadual - FOTO: Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
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Preocupadas com a situação do prédio em que se encontra a Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP), da Universidade de Pernambuco (UPE), 84 famílias que residem no local participam hoje de uma reunião, às 13h30, no Ministério Público de Camaragibe, no Grande Recife. A instituição funciona no bairro de Tabatinga, na mesma cidade. Laudos da equipe de engenharia da universidade condenaram a estrutura da edificação. Por isso, as atividades acadêmicas foram suspensas desde a última segunda-feira. As famílias, no entanto, permanecem nos apartamentos.

A reunião será conduzida pela promotora de Justiça Maria de Fátima de Araújo Ferreira, responsável pela convocação das partes envolvidas. Ela margou o encontro a partir de uma provocação dos moradores do prédio da FOP. 

“Não fazemos questão de sair, até porque a situação é precária. Se há risco de desabamento, podemos ir embora. Mas para onde? Queremos que o governo do Estado tome providências para que possamos ter outro lugar para morar”, diz Adilza Oliveira, que mora na área há 38 anos. O prédio tem quatro andares.

A FOP funciona no local desde 1974. Um ano depois, devido a enchentes no Recife, houve a cessão temporária do espaço para que pessoas desabrigadas habitassem os apartamentos. “Hoje a maioria dos moradores é de herdeiros de funcionários da UPE. A ocupação foi autorizada pela direção da faculdade e pela reitoria”, atesta Adilza.

Segundo os moradores foi feito um cadastro em 2004 pela Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) para construção de moradias dentro do programa federal Minha Casa Minha Vida.

“Somos cadastrados para ganharmos nossas casas com dignidade e simplesmente devido ao estado crítico que se encontra a estrutura do prédio, querem nos despejar como se fôssemos lixo. Temos filhos, idosos acamados, crianças especiais, famílias sem renda, desempregados e não temos um lugar onde possamos morar”, diz uma mensagem que as famílias da FOP estão repassando pelas redes sociais para pedir apoio da sociedade.

O presidente da Cehab, Bruno Lisboa, confirmou que existe um projeto para as famílias da FOP. “Conseguimos um terreno vizinho ao da faculdade para construção de 96 apartamentos do Minha Casa Minha Vida. Houve até uma chamada pública, em abril deste ano. Mas não passou disso. O governo federal não deu continuidade”, explica Bruno Lisboa. A Cehab pretende conceder auxílio-moradia para as famílias da FOP, no valor de R$ 200 mensais.

MUDANÇA

As equipes de engenharia e arquitetura da UPE estão definindo quais são os ajustes necessários para adaptar dois blocos do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), na Cidade Universitária, bairro da Zona Oeste do Recife, para receber a FOP em 2020. Como o espaço é menor do que a faculdade precisa, é provável que uma das saídas seja montar clínicas em contêineres, medida já adotada pela UPE no curso de odontologia em Arcoverde, no Sertão.

Segundo o reitor Pedro Falcão, já houve licitação para reformar uma clínica no câmpus Santo Amaro, na área central do Recife, e aquisição de 14 cadeiras odontológicas para atender os alunos dos 9º e 10º períodos. Como os 1º e 2º períodos já estudam também em Santo Amaro, ficarão somente no Itep os estudantes dos 3º aos 8º períodos.

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