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Débora Dantas, jovem que se acidentou em kart no Recife, diz que pedido por Harvard foi conversa informal com hipermercado

Jovem participou de coletiva de imprensa com seu advogado, na tarde desta sexta-feira (17)

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 17/01/2020 às 17:18
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Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
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Atualizada às 18h35

Na tarde desta sexta-feira (17), a jovem Débora Dantas, que se acidentou em um kart no Recife, disse, em entrevista coletiva para repercutir a nota emitida pelo Grupo Big (ex Walmart), que foi procurada pelo hipermercado para uma conversa informal, ainda quando se recuperava do acidente. Débora confirmou o pedido para estudar em Havard (Universidade famosa dos Estados Unidos), mas confessou que não tinha noção de como resolver o caso, já que não tinha nenhum auxílio de um advogado na época.

"É como se você chegasse em uma mesa para conversar com um amigo e dissesse 'E aí, o que você quer?'. Eu não sabia, eu não sou advogada. Eu estou com esse advogado [Eduardo Lemos Barbosa] há uma semana. Ele que é especialista nestes casos. Eu fiquei sem saber qual o preço dar para o meu rosto, meu couro cabeludo. Então eu fiquei em uma situação que eu não sabia. Era uma situação de euforia e, ao mesmo tempo, de dificuldade."

O advogado de Débora, Eduardo Lemos Barbosa, chamou atenção para as explicações que o Grupo Big vem dando durante os últimos dias. Segundo ele, a rede vem se pronunciando por conta da divulgação de que os tratamentos da jovem foram interrompidos. "Mandaram ela tratar com o jurídico. Do advogado [da rede], veio a resposta de que ela ou dava a quitação, ou não teria o tratamento", argumentou.

Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
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De acordo com Barbosa, Débora foi procurada por uma representante do RH (Recursos Humanos) da rede de hipermercados. "Ela teve conversações com uma pessoa do grupo, do RH, quando ela estava em São Paulo. A pessoa foi até lá e, numa conversa com ela, colocou 'O que você gostaria de ter? O grupo está aberto a lhe proporcionar, onde for, em qualquer lugar do mundo, que você vai ter a sua recuperação'. Temos gravação da conversa", explicou ele, que também mostrou prints de conversa por aplicativo de mensagem. "Lógico, naquele momento, ela não tinha orientação, mas falou que gostaria de sair daqui, 'queria minha vida de volta. Onde for e estiver minha recuperação, eu vou querer'. Nenhuma indenização vai pagar o que ela tem. Isso ela colocou para uma pessoa do Grupo Walmart", concluiu.

Estudos

A jovem confirmou a fala do advogado. Segundo ela, durante a conversa, a representante perguntou o que ela queria para ter uma 'vida normal'. "Ela queria saber o que eu precisava para ter a minha vida de volta. Ter uma vida normal. Algo que pudesse reparar", afirmou. Segundo a jovem, a resposta foi pedindo um jeito de viabilizar os seus estudos, já que ela sonha em ser médica. "Eu disse que a primeira coisa que eu queria era estudar e ter o minimo para a minha saúde, viver bem novamente, sabe?" explicou.

Tratamento nos EUA

Débora contou ainda que pediu transferência do tratamento para Houston, nos Estados Unidos, onde existem melhores possibilidades de recuperação. “Quando tudo aconteceu, eu iria para lá. Não fui porque não tinha passaporte e demoraria muito. Para preservar minha vida, fui para Ribeirão. Lá (EUA), existem outras metodologias, possibilidades de implante e reenxerto, que pode me devolver o cabelo. Infelizmente, nossa tecnologia é limitada”, lamentou a jovem.

A marcação das consultas, assim como a compra das passagens, eram de responsabilidade do Walmart. Após o pedido de transferência, no entanto, a rede teria parado de realizar os procedimentos. Em uma conversa no dia 3 de janeiro, via aplicativo de mensagem, Débora pede à funcionária do Walmart respostas sobre um procedimento que seria realizado no dia 6 de janeiro. “O doutor tinha marcado uma cirurgia para o dia 6 agora, só que eu solicitei a mudança do meu tratamento para os EUA e ainda não tive resposta, como eu faço?”, questionou a jovem. Em resposta, a funcionária disse que o tema seria tratado a partir dali pelos advogados.

“Foi quando fui informada que o tratamento só seria custeado se eu abrisse mão dos meus direitos”, conta Débora. Ainda de acordo com a vítima, os medicamentos não estariam sendo fornecidos. Na última quinta-feira (16), o Procon Pernambuco autuou o Grupo Big e a empresa Adrenalina Kart Racing em R$ 5 milhões e determinou a retomada do tratamento.

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