MARACATU

Nações de Maracatus reverenciaram seus ancestrais na 19ª Noite para os Tambores Silenciosos, de Olinda

Quem comandou a noite em Olinda foi o babalorixá Ivanildo de Oxóssi

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 17/02/2020 às 22:00
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Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Quem comandou a noite em Olinda foi o babalorixá Ivanildo de Oxóssi - Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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A noite foi de muito maracatu, em Olinda. É que aconteceu, nesta segunda-feira (17), a 19ª edição da Noite para os Tambores Silenciosos, um tradicional evento da semana que antecede o período da folia de Momo.

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A concentração aconteceu na Praça de São Pedro, por volta das 20h. Depois, os grupos saíram em cortejos, passando pelos Quatro Cantos, Amparo, até à Igreja de Nossa Senhora dos Homens Pretos, no Bonsucesso, onde acontece, à meia-noite, o ápice da celebração, quando todos os maracatus rufam suas alfaias em homenagem aos que ajudaram a carregar a tradição. Pela primeira vez, por decisão da Associação de Maracatus de Olinda (AME), o babalorixá Ivanildo de Oxóssi, que também é o mestre do Maracatu Estrela de Olinda, será o responsável por conduzir a louvação aos antepassados.

Ivanildo de Oxóssi disse à reportagem do Jornal do Commercio o valor e a história que tem o evento. Ele destacou alguns homenageados da festa. "Essa louvação representa os nossos ancestrais. Primeiramente, a cultura, porque o maracatu faz parte da cultura e da religião. Os nossos ancestrais criaram os maracatus, como Dona Santa, Seu Afonso (Mestre Afonso), e muitos outros. Esta noite é em louvor aos nossos ancestrais, aqueles que já se foram. Não só os que criaram o maracatu, mas aos que criaram também os carnavais e o candomblé, afirma.

Combate ao feminicídio

Para o comandante da cerimônia, um dos momentos importantes da noite vai ser a intercessão para que haja o fim do crime que tem tirado o sossego das mulheres: o feminicídio. "Essa noite é para pedir proteção aos nossos ancestrais, para que o Carnaval seja menos violento e que a gente brinque e saia na paz, comece e termine na paz e, principalmente, a gente pede a Iansã, que é orixá guerreira e é a única mulher que teve o conhecimento da baba egun, dos nossos ancestrais, para que ela ajude as nossas mulheres contra o feminicídio, que a gente vê que está em imensa proporção, não só em Pernambuco, mas no mundo. E a gente pede muito isso hoje (segunda, 17)", acrescenta Ivanildo.

A produtora do evento, Kátia Paz, aponta que há um certo "abraçar" por parte do Governo do Estado e da Prefeitura de Olinda, não só pela Noite para os Tambores Silenciosos, mas por outros eventos que carregam e valorizam o maracatu. "É importante para a valorização da nossa cultura e, principalmente, dos maracatus de baque virado. Essa é a nossa luta. Vamos estar sempre nessa resistência", diz.

Para a dona de casa Dira Oliveira, de 52 anos, é sempre muito bom estar neste evento. Ela, que acompanha todos os anos, reconhece que a noite reúne muito maracatu e cultura. “Moro na Cidade Alta há mais de trinta anos e sempre acompanho a Noite dos Tambores. É lindo demais, um encontro da nossa cultura", destacou.

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