Chico Science 50 anos

Otto relembra Chico Science e os primórdios do manguebeat

Ele tocou percussão nas duas principais banda do movimento

José Teles
José Teles
Publicado em 05/02/2016 às 6:00
Foto: JC Imagem/Alexandre Belém/Ricardo Labastier
Ele tocou percussão nas duas principais banda do movimento - FOTO: Foto: JC Imagem/Alexandre Belém/Ricardo Labastier
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Umas das lembranças que Otto tem do tempo em que conviveu com Chico Science: "Um dia transportávamos uma alfaia em cima do corcel de Dengue, ou de Lúcio Maia. Eu, fora do carro, e Chico também. Da Madalena à Soparia, pelo Joana Bezerra, muito bacana está imagem. Ficamos num apartamento de Roger, colado à Soparia, até a hora do show, talvez o nosso primeiro camarim. Tinha uma tesoura por lá e falamos pra cortar a manga um, e o outro a gola da camisa . Era como se tivéssemos virando artistas, Boa recordação".

Isso aconteceu há 25 anos. Otto está hospedado em Olinda como convidado para participar da homenagem que o Clube de Máscaras Galo da Madrugada fará a Chico Science no desfile de amanhã. "Dá impressão de sonho, pois quanto mais canto Chico, mais tenho aprendido, transmitido, compreendido o porquê de estarmos aqui. Me divertindo, expandido minha música, conectividade, mais aprendo minha cultura. Chico Science está cada vez mais vivo e acho que em mim nunca se perdeu ou morreu".

Otto conheceu Chico Science quando ele começava com o Nação Zumbi, aterrissou no Recife no lugar e momento certos. Não imaginava, obviamente, a importância que o encontro teria em sua vida: "Tinha voltado de Paris. Conheci Chico na X­filme, produtora de Paulo Caldas e Juliana Carapeba . Eu andava com os meninos do cinema: Lírio Ferreira, Marcelo Pinheiro, Sérgio Oliveira, Claudio Assis. E eles eram amigos de uns caras bem legais Fred, da Mundo Livre, e Chico e a Nação Zumbi. Assisti ao show deles na galeria Joana Dark (sic), pirei. Compus naquela noite a música pra Humberto Costa (candidato à prefeito na eleições de 1992) ) e perguntei se Chico podia cantar. Os caras da produtora chamaram Chico e, literalmente, nos trancaram em uma sala da produtora. Conversamos muito neste dia".

Não demorou muito para que começasse a tocar com Chico Science, um contraste que não deixava de ser surpreendente: um "galego" vindo diretamente de Paris para Peixinhos, tocar percussão entre músicos que cresceram entre alfaias e ilus: "Não houve nenhum problema com o pessoal, não. Vim de Paris, mas sou um agrestino que estudou na capital. Morava lá em CDU, jogava futebol de salão no Náutico e batia pelada lá no cachito. Ou seja, era um maloqueiro há muito tempo. Paris só ajudou a ser mais. Eu e os meninos de Peixinhos até hoje somos amigos e compadres. Mas todo mundo era maloqueiro também. Uma das coisas que vale mesmo a pena nesta nossa vida de músico são os amigos de bandas e de música". 

(leia matéria na íntegra na edição impressa do Jornal do Commercio)

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