OLINDA

Homem da Meia noite busca sua roupa do Carnaval 2017 no Xambá

Em 85 anos de história, o calunga nunca tinha deixado sua sede no Bonsucesso para buscar as vestimentas

Editoria de Cidades
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Publicado em 22/01/2017 às 8:39
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Em 85 anos de história, o calunga nunca tinha deixado sua sede no Bonsucesso para buscar as vestimentas - FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Pela primeira vez em 85 anos de história, o calunga mais famoso do Carnaval de Olinda deixará sua sede no Bonsucesso e seguirá até a comunidade de Xambá para buscar as vestimentas de seu desfile. Em 2017, o Homem da Meia Noite, que tem origem relacionada ao candomblé, homenageia a cultura afro com o tema Negro Rei.

Às 19h do dia 31, o gigante galanteador de quatro metros chega com clarins e tambores ao Terreiro de Xambá, onde participará de um encontro com a comunidade e com a calunga Mãe Biu, antes de sair em um pequeno cortejo. “É um ano especial, com um simbolismo muito forte. Nosso tema homenageia as raízes do Homem da Meia Noite. Quase todos os fundadores do clube eram negros, por isso o tema é importante para nós”, destaca o presidente da agremiação, Luiz Adolpho. 

O sorridente cavalheiro foi às ruas de Olinda pela primeira vez em 2 de fevereiro de 1932, data dedicada a Iemanjá e, por isso, é associado ao candomblé.

O traje deste ano foi encomendado ao grupo Bongar, que tem ligação com o terreiro. A roupa estará coberta, mas quem participar do encontro poderá ver um dos acessórios que será usado pelo calunga no desfile que acontece entre o Sábado de Zé Pereira e o domingo da festa. “Foram as mulheres do terreiro que confeccionaram as vestimentas. Os moradores estão muito felizes com a escolha e ansiosos pela visita do Homem da Meia Noite. É um privilégio muito grande”, afirma Guitinho da Xambá, presidente do Bongar. 

UNIÃO

Para ele, a oportunidade também é uma chance de mostrar que os clubes carnavalescos de Olinda podem ser unidos. “O Bongar não está cobrando nada pelas roupas. É uma troca humana e irmã. Mostra que as relações entre agremiações podem existir. Com o tempo, esses laços foram se enfraquecendo. O que estamos fazendo é um resgate do passado.”


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