Folia 2017

Abertura do Carnaval do Recife faz homenagem a Naná Vasconcelos

Percussionista será reverenciado. Almir Rouche e Caboclinho Carijós também farão parte da festa, no Marco Zero

JC Online
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Publicado em 24/02/2017 às 7:14
Alexandre Gondim/JC Imagem
Percussionista será reverenciado. Almir Rouche e Caboclinho Carijós também farão parte da festa, no Marco Zero - FOTO: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Finalmente chegou o dia. De vestir a fantasia e matar a vontade de um ano inteiro. Quem é pernambucano sabe bem o que é essa espera. Quatro dias para se perder e se achar. Mergulhar num sonho chamado Carnaval. Agora, é questão de horas. Logo mais, à noite, no palco do Marco Zero, será decretado o início do Reinado de Momo na capital. Uma abertura em três atos. Para matar saudade e reverenciar o mestre Naná Vasconcelos, celebrar a história do Caboclinho Tribo Indígena Carijós do Recife e deixar o frevo correr solto, na voz e no pique de Almir Rouche. Frevo só, não. Vai ter de tudo o que Pernambuco tem de melhor. Uma mostra do que vem por aí, até a quarta-feira ingrata chegar.

Como não podia deixar de ser, a presença de Naná será o fio condutor de uma festa que irradiou o talento e o espírito do percussionista, morto logo após o Carnaval do ano passado. Foram 15 anos à frente do cortejo de maracatus que agora se unem – 13 diferentes nações – para mostrar o quão eterno é o legado de Naná.

À frente do cortejo, com os mestres de maracatu, grandes parceiros do percussionista: o pernambucano Lenine, a baiana Virgínia Rodrigues, o maestro Nilsinho Amarantos e o grupo Voz Nagô.

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Um detalhe curioso: Lenine participou da última apresentação com Naná, ano passado, e Virgínia teve a honra de ser a primeira cantora a tomar parte da cerimônia com maracatus idealizada pelo percussionista. “Como fazer esta abertura sem ele? Esse foi nosso grande questionamento. Mas conseguimos algo que não havíamos conseguido em todos os anos anteriores: os 13 mestres de maracatu visitaram os terreiros uns dos outros, interagiram, independentemente das diferentes nações. Eles vão reger todos juntos. Será uma celebração à memória e à grandiosidade de Naná”, ressalta Paz Brandão, diretora musical da primeira parte da abertura.

Caboclinho Carijós do Recife

No segundo ato, é a vez do mais antigo caboclinho em atividade na capital subir ao palco. No ano em que completa 120 anos, o Caboclinho Carijós do Recife teve a honra de ser a primeira tribo de caboclinho a ser homenageada no Carnaval. Nascida em 1897, na parte velha da capital, perto do Forte do Brum, a tribo vai se apresentar também na Terça-Feira Gorda, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, no Centro, vestida nas cores vermelha, branca e verde.

Na parte final, é o frevo que pede passagem. Sob o comando de Almir Rouche, o segundo homenageado do Carnaval do Recife, a ordem é cair no passo. Comemorando 30 anos de carreira, o cantor convidou nada menos que 20 artistas que fizeram parte de sua trajetória artística para participar do show. Apesar da emoção, ele garante estar pronto para esse grande momento. “Venho me preparando ao longo de três décadas. Será mais do que uma pessoa no palco. Será a alma do nosso Carnaval, com todos os elementos da cultura pernambucana”, afirma. Entre os convidados, Maestro Forró, André Rio, Spok, Marrom Brasileiro e Vanessa da Mata. E uma surpresa que, Almir Rouche garante, será um dos pontos altos do espetáculo: o encontro de dois gigantes do Carnaval, o Galo da Madrugada e o Homem da Meia Noite. Isso porque a festa está só começando.

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