RESISTÊNCIA

Blocos levam debates sobre empoderamento feminino para o Carnaval 2020

Na época do ano em que os casos de assédio contra mulheres aumentam, blocos falam sobre feminismo nas ruas

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 14/02/2020 às 23:12
Foto: Priscilla Buhr/ Divulgação
Na época do ano em que os casos de assédio contra mulheres aumentam, blocos falam sobre feminismo nas ruas - FOTO: Foto: Priscilla Buhr/ Divulgação
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Mais do que apenas festa, Carnaval também é sinônimo de luta e resistência. Na época do ano em que os casos de assédio contra mulheres aumentam, foliões e poder público assumiram a missão de levar informação e mensagens de empoderamento feminino para as ruas e ladeiras dos principais polos da folia em Pernambuco.

Há 19 anos, a prefeitura da capital, através da Secretaria da Mulher, leva às ruas do Recife Antigo o bloco Nem Com Uma Flor. O desfile é um grito contra a violência que atinge as mulheres. “Ele sai sempre na quinta-feira que antecede o Carnaval, é como se fosse um abre-alas para avisar a cidade e os foliões que as mulheres têm direitos e tem que ter o corpo preservado”, afirma a secretária da pasta, Cida Pedrosa.

A festa está marcada para próxima quinta-feira, às 15h, na Praça do Arsenal. É nesse horário que sobe ao palco a estrela da campanha deste ano do ‘Manual de como não ser um babaca no Carnaval’, a cantora Gretchen. O bloco contará com a participação das cantoras Gabi da Pele Preta e Cilene Araújo, a apresentação das Sereias Teimosas, do Pina, e do grupo de dança Coco do Baobá, da Mustardinha. Tudo isso animado pela Orquestra 100% Mulher e Maracatu Baque Mulher e acompanhado de perto pela boneca A bela da tarde.

As homenageadas deste ano são são Joana Batista (uma das compositoras da letra do frevo Vassourinhas), a artista Aurinha do Coco e Irani Brito, uma das fundadoras da Associação de Mulheres de Lagoa Encantada. “Nosso objetivo é valorizar a luta das mulheres, dizer que o nosso corpo é nosso e não pode sofrer agressão.

Empoderamento

Empoderar mulheres também foi o que levou um grupo de amigas a criar, há seis anos, o bloco Essa Fada. De lá pra cá, já foram abordadas diversas temáticas relacionadas à realidade enfrentada pelas mulheres. “Já falamos sobre liberdade sexual, assédio, empoderamento de diversos tipos, padrões impostos aos corpos e este ano resolvemos falar sobre a maternidade. o Essa Fada é o Carnaval que discute”, afirma a jornalista Joana Aquino, uma das fundadoras do bloco.

A sexta edição acontece neste sábado (15) na Casa Astral, no Poço da Panela, Zona Norte da capital, a partir das 15h, com espaço para mães e filhos curtirem juntos a folia. “Escolhemos este tema pensando nas exclusões e nos julgamentos que passa a mulher que é mãe”, contou a jornalista. Mas o Essa Fada também marcará presença durante os dias oficiais da folia de Momo, desta vez em Olinda. A agremiação desfila com seu estandarte junto ao bloco Siririx na terça-feira, a partir das 8h30, pela Cidade Alta. “É o nosso primeiro ano, uma união de forças com outros blocos que tratam de empoderamento.”

Quem também tem encontro marcado nas ladeiras olindenses na festa de Momo é o bloco Vacas Profanas. Em 2015, a produtora Dandara Pagu criou uma fantasia inspirada na música que dá nome ao bloco, de Caetano Veloso e Gal Costa. Saiu com saia de estampa de vaca e os seios à mostra. Foi, então abordada por policiais. Dandara questionou se os homens que estavam ali teriam o mesmo tratamento. Se sentindo violentada, ela encontrou em outras mulheres apoio e acolhimento de outras mulheres e, assim, acabou criando o bloco, celebrando as vidas das mulheres, das pessoas negras e LGBTQI+.

Para realizar a edição deste ano, o grupo criou uma vaquinha online. Quem quiser contribuir com o desfile, pode acessar o site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/bloco-vacas-profanas-2020 e fazer uma contribuição de qualquer valor.

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