Agressão

Vítima de agulhada no Carnaval de Pernambuco acusa polícia de negligência

Duas supostas vítimas, que não quiseram se identificar, relataram situações distintas que teriam acontecido no sábado (22), em Olinda e no Recife

JC Online
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Publicado em 23/02/2020 às 12:44
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Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Duas supostas vítimas, que não quiseram se identificar, relataram situações distintas que teriam acontecido no sábado (22), em Olinda e no Recife - FOTO: Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
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Pelo menos cinco pessoas deram entrada no Hospital Correia Picanço, na Tamarineira, Zona Norte do Recife, na manhã deste domingo (23), denunciando terem sido vítimas de agulhadas no Carnaval. As agressões ocorreram no sábado (22), em Olinda e no Recife. Uma das vítimas, que foi atacada durante o desfile do Galo da Madrugada, denuncia que houve negligência por parte da Polícia Militar. Segunda ela, agentes que faziam o policiamento no cortejo foram informados da agressão, mas se recusaram a atender a ocorrência.

Ouça dois depoimentos abaixo. Áudio foi distorcido a pedido das vítimas 

A vítima conta que estava brincando no bloco, acompanhando o trio elétrico comandado pela cantora Pablo Vittar, quando sentiu a furada. O ataque aconteceu na altura da Avenida Dantas Barreto, por volta das 17h40, já no fim do desfile, segundo a vítima. “Estava em grupo com minha família quando senti uma picada de leve na minha coxa e não dei crédito na hora. Passei a mão no local e até olhei para o indivíduo (agressor). Tentei avisar a ele que alguma coisa que ele segurava estava machucando as pessoas, mas não dei crédito, passei a mão e prossegui”, conta a vítima, que pediu para não ser identificada.

A mulher diz que a perna chegou a sangrar momentos depois da agulhada. “Depois de limpar o sangue, procuramos o posto policial em frente à Igreja do Carmo. E aí encaminharam a gente para o Corpo de Bombeiros, que mandou a gente procurar o posto médico, e assim foi um (setor) repassando para o outro e não tive atendimento seguro em nada”, reclama.

Ainda de acordo com a mulher que deu entrada no Hospital Correia Picanço, a Polícia Militar não teria levado em consideração a denúncia. “Isso é descaso. A polícia está ali para combater alguma coisa errada, mas quando a gente recorre, dando um alerta de um caso como esse, é deixado de lado”, critica. “O homem que estava dando agulhadas poderia até ter matado muita gente que estava ali”, lamenta.

A vítima disse que chegou a ir a um posto médico instalado durante o desfile do bloco. “No posto médico, disseram que não era um caso grave e que a ambulância só conduziria pessoas com casos graves. Afirmaram ainda que, nesse caso, eu tinha que procurar o (Hospital) Correia Picanço o quanto antes. Nas primeiras duas horas, eles disseram que era o prazo ideal”, afirmou.

Como estava no Galo da Madrugada, com uma concentração de milhares de pessoas, a vítima alega que seria difícil sair do Centro do Recife com a rapidez ideal para um atendimento médico nas primeiras horas após o acontecimento. “Não tinha condição de estar aqui (no Hospital) em 2 horas. Até agora, não tomei medicação. Vim hoje para cá”, contou.

Outro caso

Outro caso ocorreu na Travessa João Alfredo, em Olinda, também por volta das 18h do sábado (22). A vítima diz ter sentido uma picada no ombro direito. Ela não conseguiu identificar o possível agressor e também não chegou a procurar as autoridades policiais nem o posto médico instalado nos focos de folia. Apenas no dia seguinte, neste domingo (23), ela resolveu procurar o Hospital Correia Picanço, após ver outros relatos de vítimas na internet.

“Quando foi hoje, eu vi relatos nas redes sociais de outras pessoas que teriam sido vítimas, e decidi vir para cá para fazer exames. A reação foi só na hora da picada. Depois, não senti nada”, disse.

“A rua estava bem movimentada, mas foi ruim de identificar o agressor porque estava bem escura e, no momento em que eu senti, fiquei pensando em mim e não tive a preocupação de prestar atenção ao redor”, relatou a segunda vítima ouvida pelo JC.

No Hospital Correia Picanço, a vítima do segundo caso informou que foi submetida a um exame de sangue, para identificar alguma possível contaminação. "Mesmo não tendo certeza no que tem nessa picada que eu levei ontem, prefiro tomar o coquetel (recomendação médica) e prevenir já de agora do que ter algo irreversível depois”, disse.

Retorno ao Carnaval

As duas mulheres ouvidas pelo JC ainda mostraram visões diferentes em relação ao restante do Carnaval. Enquanto uma das vítimas descartou a possibilidade de brincar o Carnaval novamente em 2020, a outra deixou em aberto a possibilidade a depender do resultado dos exames.

“Voltar para casa depois de tudo isso foi para acabar o Carnaval. A festa é uma vez por ano, a maioria das pessoas vai para brincar na paz. Mas voltei para casa com meu carnaval destruído. E os próximos também. Não tenho mais como brincar Carnaval”, disse a vítima que foi atacada no Galo da Madrugada.

Já a vítima atacada em Olinda afirmou que prefere aguardar as recomendações médicas, para decidir se vai ou não voltar à folia. “Não estou abalada amanhã para voltar para Olinda, também não sei se vou me sentir tão segura quanto ontem. Por enquanto, sim (pretendo voltar). Mas pretendo de imediato já resolver isso da picada. A depender dos resultados, é que vou decidir se volto a brincar o Carnaval ou não”, completou.

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