Paralisação

Rodoviários da Caxangá continuam parados e circulação nesta terça ainda é incerta

Funcionários se queixam da situação dos cobradores e acusam a empresa de demitir funcionários sem reaproveitá-los

Diogo Cavalcante
Diogo Cavalcante
Publicado em 10/04/2017 às 19:19
Foto:Jedson Nobre/JC Imagem
Funcionários se queixam da situação dos cobradores e acusam a empresa de demitir funcionários sem reaproveitá-los - Foto:Jedson Nobre/JC Imagem
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Os rodoviários da empresa Caxangá continuam paralisados. De braços cruzados e em frente à garagem durante toda a segunda-feira (10), ainda não se sabe se irão retomar suas atividades regulares nesta terça (11), apesar da Justiça ter determinado que os rodoviários mantivessem 30% da frota em operação. A queixa da classe é a situação dos cobradores, que vêm sendo retirados dos coletivos da Região Metropolitana do Recife (RMR) - eles acusam a gerência da empresa de demitir os funcionários, em vez de realocar em outras áreas, bem como obrigá-los a vender cartões do VEM (Vale Eletrônico Metropolitano). As 54 linhas operadas pela empresa atuam, especialmente, em Olinda e nos bairros da Zona Norte do Recife. 

Genildo Pereira, do Sindicato dos Rodoviários (STTREPE), relata a situação: "Esta empresa (Caxangá) foi a que mais demitiu. Há assédio moral por parte da gerência de operação que obriga eles (rodoviários) a venderem cartões do VEM e obrigando passageiro que quer pagar em dinheiro a descer do ônibus. Não podemos ser obrigados a cometer irregularidades", disse. Ainda é incerto se os rodoviários da empresa voltarão a trabalhar nesta terça, segundo Genildo - estariam discutindo entre si esta questão. 

Segundo relatos de funcionários do STTREPE, o sindicato teve de se retirar do local durante a tarde após uma determinação judicial. Não há informações, no entanto, de qual órgão teria expedido. Apenas se sabe que, caso continuassem no local, estariam sujeitos à multa de R$ 20 mil por dia, que poderia ser agravada para R$ 100 mil.

200 mil passageiros prejudicados

Tanto o sindicato que representa as empresas de ônibus, a Urbana-PE, quanto o Grande Recife Consórcio de Transportes, foram pegos de surpresa pela parada. Os dois órgãos emitiram notas sobre o assunto:

A Urbana-PE, representando a Caxangá, comentou: "A Rodoviária Caxangá informa que nenhum cobrador foi demitido em função das alterações de funcionamento de operação das linhas. Os cobradores foram capacitados e aproveitados em outras funções. Neste mês de abril, 17 cobradores foram promovidos a motoristas. A empresa reforça que não foi informada com antecedência sobre a paralisação e está se esforçando para normalizar as atividades o mais rápido possível. A Rodoviária Caxangá esclarece ainda que se dispôs a manter o diálogo com o Sindicato dos Rodoviários. No entanto, esse não demonstrou interesse em realizar qualquer negociação."

O Grande Recife comentou que "não recebeu qualquer informação oficial prévia" sobre a paralisação e que ela "prejudicou mais de 200 mil passageiros que utilizam as 54 linhas da empresa operadora". 

"Quanto ao motivo da paralisação, o Consórcio informa que está averiguando junto ao Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana) e à operadora Caxangá as demissões relatadas pelos cobradores, bem como se o compromisso de manutenção, remanejamento e capacitação dos profissionais das linhas que estão circulando sem cobrador está sendo cumprido.", concluiu na nota. 

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