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Corte de verba ameaça parar metrô do Recife aos finais de semana

Além do Recife, metrôs de Belo Horizonte, Maceió, João Pessoa e Natal podem parar se orçamento não for revisto, chegando a prejudicar cerca de 600 mil pessoas diariamente

JC Online
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Publicado em 07/02/2018 às 6:52
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Além do Recife, metrôs de Belo Horizonte, Maceió, João Pessoa e Natal podem parar se orçamento não for revisto, chegando a prejudicar cerca de 600 mil pessoas diariamente - FOTO: Foto: Arquivo
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O metrô do Recife corre o risco de operar apenas de segunda a sexta-feira, nos horários de pico, com o orçamento previsto para o ano de 2018. A informação consta em ata de reunião realizada no último dia 30 e assinada por representantes das cinco praças da estatal. A paralisação total dos trens não foi descartada. Além da capital pernambucana, Natal, João Pessoa, Maceió e Belo Horizonte, que também têm a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) como operadora do transporte público, vão passar pelo mesmo esquema de funcionamento, o que não inclui os finais de semana. No total, mais de 600 mil serão prejudicadas com o novo modelo de operação.

Na reunião, ocorrida no Recife, foi marcada inclusive a data, 5 de março próximo, para que as composições passem a operar com horário reduzido. "Caso não seja respondido positivamente à recomposição da LOA (lei orçamentária anual), ou ainda suplementação orçamentária para cobertura do déficit pelos ministérios Cidades/Planejamento até o dia 20/02/2018, as superintendências verificam como a alternativa menos danosa a de operar no horário de pico de segunda a sexta-feira a partir de 05/03/2018, sem prejuízo de reestudo e eventual paralisação total do sistema", diz a ata. São considerados horários de pico de 5h às 9h00 e das 16h às 20h.

O orçamento para os metrôs das cinco praças, que no ano passado foi de aproximadamente R$ 260 milhões, conforme informações retiradas da reunião, foi reduzido para R$ 139,7 milhões no orçamento de 2018. Isto significa um corte de 43% para operacionalização do sistema. O valor para esse ano foi repassado pelo Ministério das Cidades.

Repercussão

Em posição contra os cortes no orçamento do metrô, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SINDMETRO-PE) afirma que a manutenção do sistema vai ser ainda mais prejudicada. "Com este corte, a segurança, que é feita em parceria privada vai ser ainda mais prejudicada. "Denunciamos há anos a situação que os usuários passam todos os dias e estamos convencidos que isso vai piorar", explica Levi Arruda, que é o diretor de comunicação do sindicato.

Atualmente, a Linha Centro, que liga os municípios de Jaboatão e Camaragibe ao Centro, tem o intervalo entre 4 e 7 minutos das composições, enquanto a Linha Sul tem um intervalo médio de 8 minutos. Com a redução do funcionamento para os horários de pico, Arruda acredita que vai "ultralotar" os equipamentos. "Todos os dias os passageiros já passam por lotação no metrô, justamente por causa da falta de investimentos. Com a alteração vai ficar ainda pior", conta.

Ainda de acordo com Levi, a redução orçamentária é um indício de uma tentativa de privatização do sistema. "Os metroviários já sofrem no cotidiano com o estresse e a falta de condições de trabalho. Acredito que com uma possível privatização, o momento é de risco para a categoria, com a atual flexibilização do trabalho proposto pelo Governo", ainda fazendo alusão à reforma trabalhista.

Dívida do Grande Recife

Há um tempo, há um debate sobre a falta do repasse de verbas do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) e do Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT), em relação a operação do Sistema Estrutural Integrado (SEI).  que o Sindicato estipula em R$ 60 milhões. Se confirmado, este valor chega a quase metade da verba disponível para a operação do sistema das cinco cidades.

Contrato

Conforme informações da pasta, o montante para esse ano foi enviado pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo, que aprovou os recursos. Foi informado ainda que, ao menos por enquanto, não há expectativa de alteração no valor.

A ata foi encaminhada pelo presidente interino da CBTU, José Marques de Lima, para o presidente do Conselho de Administração da empresa, Pedro Cunto de Almeida Machado. O texto afirma ainda que "como medida preventiva as superintendências farão notificação das empresas que prestam serviços à CBTU por meio de aviso prévio contratual, para suspensão total/parcial dos contratos, com vistas a atendimento ao corte orçamentário, a partir de 05/02/2018".

Conforme o presidente do Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais, Romeu José Machado Neto, o que vinha sendo feito antes era contingenciamento de recursos, nunca corte no orçamento. "No contingenciamento o governo segura o dinheiro mas vai liberando ao longo do ano. Agora o que fizeram foi o corte direto no orçamento", disse. "Isso é para fechar as portas", acrescentou.

Em nota, a CBTU confirmou que a redução nos recursos para o metrô pode afetar o sistema, mas que não é possível dizer "de que forma isso acontecerá, nem quando". Segundo a nota da CBTU, houve um corte de 43% no orçamento em relação ao do ano passado.

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