ZONA NORTE

Trânsito muda na Zona Norte para viabilizar Faixa Azul na Agamenon

Mudança nos bairros da Encruzilhada e Espinheiro está prevista para acontecer nos próximos meses

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 09/05/2018 às 8:34
Foto: Sérgio Bernardo/ JC Imagem
Mudança nos bairros da Encruzilhada e Espinheiro está prevista para acontecer nos próximos meses - FOTO: Foto: Sérgio Bernardo/ JC Imagem
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Uma grande mudança de tráfego será implantada entre os bairros da Encruzilhada e Espinheiro, na Zona Norte do Recife, nos próximos dois meses. O novo plano de circulação deixará o Largo da Encruzilhada (atendido por 25 linhas de ônibus, com 184 veículos que realizam 1.586 viagens e transportam 78,8 mil passageiros por dia) com o fluxo em mão única até a Rua Conselheiro Portela. As alterações – com outras já realizadas ou previstas em diversos pontos da cidade – foram apontadas, em estudo técnico contratado pela Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, como necessárias para viabilizar a inclusão de Faixa Azul na Avenida Agamenon Magalhães. A via exclusiva para ônibus, inicialmente prevista pela Prefeitura do Recife para ser implantada este semestre já foi adiada para o próximo.

Com o novo plano, os canteiros centrais que ficam entre as Avenidas João de Barros e Beberibe serão unificados. Assim, os veículos que saem da Estrada de Belém em direção ao Centro deverão seguir pelas faixas da esquerda da João de Barros – que hoje têm fluxo inverso. Um ponto de ônibus será instalado no canteiro central. Já os veículos que saem da Avenida Beberibe para o Centro continuam nas faixas da direita e os coletivos, usando a parada atual.

Os motoristas que trafegarem nesse sentido terão a opção de dobrar não só à direita mas também à esquerda, na Avenida Norte. “Isso vai dar um alívio ao tráfego da Rua Fernando César, utilizada para acesso à Rua Quarenta e Oito, que está bem sobrecarregada”, observa a gestora de planejamento de trânsito da Autarquia de Trânsito e Transporte do Recife (CTTU), Kelly Pereira.

Já os veículos que trafegam pela Avenida João de Barros no sentido Centro-subúrbio deverão acessar o Largo da Encruzilhada entrando à direita na Rua Alfredo de Castro, no Espinheiro, cruzando a Avenida Norte (que terá o canteiro central aberto) e seguindo pela Rua José de Sá Carneiro para entrar na Rua Castro Alves. As duas primeiras hoje são mão dupla e ficarão com o fluxo apenas no sentido da Encruzilhada.

Esse será o percurso feito pelos ônibus, que vão ter parada nas Ruas Alfredo de Castro e Castro Alves. “A alteração vai desestimular a circulação pela Conselheiro Portela, que precisa respirar”, salienta Kelly. A arquiteta reconhece que a Alfredo de Castro é bem estreita, mas afirma que isso deverá ser compensado com a proibição de estacionamento na via e com outras alterações no entorno. “Os motoristas ainda têm a opção de entrar para a Encruzilhada antes, na Rua Marquês do Paraná – alterada recentemente – para acessar a Castro Alves”, observa.

FLUXO INVERSO

Os veículos que trafegarem pela João de Barros no sentido Centro-subúrbio também vão poder continuar entrando à esquerda na Conselheiro Portela. O canteiro no encontro das duas vias, que está passando por reforma, vai ser arrancado, para não haver estrangulamento do tráfego. “O serviço em execução era de acessibilidade, já havia sido licitado pela Emlurb, mas mandamos parar”, explica Kelly. A Emlurb está requalificando os passeios da Avenida João de Barros, com investimentos de R$ 2,3 milhões liberados pelo Ministério das Cidades e também vai fazer as mudanças nos canteiros previstas para o plano de circulação.

Conforme a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, o plano prioriza o transporte público e o pedestre e ainda pode sofrer mudanças. O estudo completo para a instalação da Faixa Azul também sugere a implantação de uma mão inglesa para os ônibus em um trecho de cem metros sob o viaduto da João de Barros, como forma de lidar com as muitas interseções na via. “Mas não temos certeza se vamos utilizá-lo ainda”, diz a arquiteta.

Gerente da Lojas do Pintor, há mais de 40 anos funcionando no Largo da Encruzilhada, Rogério Ribeiro, 55 anos, teme prejuízos. “Com a obra das calçadas já nos deixaram sem acesso ao estacionamento e sem acessibilidade, estamos tentando resolver. Muitos clientes deixaram de vir aqui depois do Zona Azul e agora vão ter que fazer o maior arrodeio, a situação só piora para a gente. E olha que pagamos mais de R$ 20 mil em impostos”, critica. Os gestores salientam que as mudanças foram simuladas e que os resultados serão positivos, após processo de acomodação.

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