espaço cultural

Paço do Frevo abre as portas no próximo dia 9

Prédio foi equipado com salas de dança, música, ensaio e oficinas, estúdio de gravação e rádio pela internet, além de um centro de documentação onde as pessoas poderão fazer pesquisas sobre o frevo

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 01/02/2014 às 18:57
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
Prédio foi equipado com salas de dança, música, ensaio e oficinas, estúdio de gravação e rádio pela internet, além de um centro de documentação onde as pessoas poderão fazer pesquisas sobre o frevo - FOTO: Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Instalado num velho sobrado da Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, o Paço do Frevo será apresentado ao público no próximo domingo, 9 de fevereiro, o Dia do Frevo. Para cumprir a função, o prédio foi equipado com salas de dança, música, ensaio e oficinas, estúdio de gravação e rádio pela internet, além de um centro de documentação onde as pessoas poderão fazer pesquisas sobre o frevo. O projeto é uma parceria da Prefeitura do Recife com a Fundação Roberto Marinho.

“Conquistamos o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2012, pela Unesco, e agora temos o espaço físico para difusão do frevo e apoio às agremiações”, declara Carmem Lélis. Historiadora e pesquisadora da prefeitura, ela fez parte da equipe que preparou o dossiê do frevo, enviado à Unesco.

O Paço do Frevo ocupará o edifício de número 91 da Praça do Arsenal. Logo na entrada, no andar térreo, é possível dar uma espiada no local sem pagar ingresso. A recepção é, ao mesmo tempo, um espaço museográfico, com as paredes vermelhas cobertas de nomes de artistas, compositores, maestros, passistas e intérpretes ligados ao frevo.

No local, há 51 caixinhas afixadas nas paredes e cada uma traz o depoimento de personalidades: Maestro Guedes Peixoto, Getúlio Cavalcanti, Lenine, J. Michiles, Jaflis Nascimento, Ariano Suassuna, Antônio Nóbrega, Alceu Valença e outros. Carlos Fernando e Maestro José Menezes, que tinham deixado mensagens, morreram ano passado. Os textos são lidos em português e inglês.

“Teremos um café, no térreo, e toda sexta-feira, às 12h, vamos promover A hora do frevo, uma programação gratuita, com grupos variados”, adianta Joana Chaves, gerente de Desenvolvimento Institucional do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), organização social que fará a gestão do Paço do Frevo, escolhida por licitação realizada em 2013.

Pagando o ingresso – R$ 6 e R$ 3 – o visitante entra no prédio e continua o passeio pela linha do tempo, que conta a trajetória do frevo de 1900 até 2013, por meio de livretos presos nas paredes. “Quem quiser, pode acrescentar informações escrevendo com giz nas paredes da linha do tempo”, diz Joana Chaves.

SÃO JOSÉ - Dezesseis imagens em preto e branco do fotógrafo e etnólogo franco-brasileiro Pierre Verger (1902-1996) completam o ambiente. Subindo para os outros pavimentos, há a exposição temporária São José: território(s) do frevo. A mostra tem curadoria de Carmem Lélis e ficará em cartaz por seis meses.

A proposta de Carmem Lélis é traduzir os territórios físico e simbólico de São José, usando fotografias, planta baixa do bairro e depoimentos de pessoas que vivem ou viveram o local. “Numa das gravações, o Coral da Igreja do Carmo cantará Vassourinhas”, diz ela. Um dos ambientes reproduz o Pátio de São Pedro.

“Sagrado e profano convivem nos pátios de igreja, São José é uma referência do Carnaval do Recife, onde nasceram Batutas, Estudantes, Pierrô, Saberé e o Galo da Madrugada (agremiações da cidade)”, destaca. Um dos pavimentos é dedicado à capacitação profissional.

O estúdio de gravação e a webradio serão operadas por parceiros privados, de acordo com Joana Chaves. As aulas de música e dança serão pagas, com 20% de gratuidade para os estudantes. No último andar (o prédio tem quatro pisos) está sendo montada a exposição permanente do frevo, com fotografias de agremiações e festas carnavalescas cobrindo as paredes.

Um piso de vidro transparente cria uma espécie de mostruário de estandartes e flabelos. “Para olhar as peças, as pessoas precisam se curvar, fazendo uma reverência às agremiações. Foi essa a proposta de Bia Lessa, a curadora do espaço”, explica Joana Chaves.

Textos explicam passos do frevo (parafuso, saci, pontilhado). Há, ainda, um glossário do Carnaval e depoimentos sobre o ritmo nas salas de música e dança. O paço funcionará terça, quarta e sexta, das 9h às 18h; quinta, das 9h às 21h; sábado e domingo, das 12h às 19h.

O centro cultural não abrirá ao público às segundas-feiras. Não será cobrado ingresso às terças-feiras e estão previstas gratuidades para algumas categorias. Construído em 1908, o prédio era a sede da empresa inglesa Western Telegraph Company Limited. Estava desativado desde 1973. O projeto foi anunciado em 2007 e a obra começou em 2010.

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