Doação

Meninas e meninos do Sertão ganham roupas de mãos solidárias

Projeto de costurar vestidos em algodão para garotas ganhou fôlego e novas peças estão sendo confeccionadas agora também para os garotos

Do JC Online
Do JC Online
Publicado em 25/07/2015 às 7:15
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
FOTO: Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Leitura:

Tereza, de Olinda, conquistou Aída, do Recife. Depois vieram Maria, Elizabete, Diana, Eliete, Rosário, Tetê, Cláudia e tantas outras, de diversos cantos do Brasil. De Norte a Sul, tem gente colaborando. Da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Mato Grosso do Sul. O projeto de costurar vestidos em algodão para meninas do Sertão pernambucano cresceu e transformou-se numa grande teia de solidariedade. Agora, além das roupinhas femininas, tem tiaras, pulseiras, fivelas e bolsinhas sendo confeccionadas para as garotas sertanejas, que ganharão também calcinhas e sandálias. E os meninos não ficarão de fora: vão receber shorts, camisas e cuecas.

“Não esperava tanta repercussão. Conseguimos mobilizar muita gente, que foi tocada pela ideia de levar um pouco de alegria para crianças do Sertão. Hoje são pelo menos 15 mulheres costurando vestidos e shorts ou fazendo adereços. Sem contar as doações que recebemos diariamente de tecidos, fitas e aviamentos vindos daqui e de vários Estados”, conta a servidora pública Tereza Maria Matos, 54 anos. No fim de fevereiro, depois de conhecer a história da americana Lillian Weber, que aos 100 anos de idade costura um vestido por dia para doar a meninas da África, ela resolveu imitá-la, com a diferença de destinar as peças para a garotada de Pernambuco.

Inicialmente, Tereza planejou costurar 301 vestidos, um por dia, entre 1º de março e 20 de dezembro, data que estipulou para terminar o projeto. Menos de um mês após começar a fazê-los, Aída Nejaim, 47, colega de trabalho, resolveu juntar-se à amiga e, desde então, também confecciona uma roupinha diariamente. Mas a participação de Aída, hoje, é bem maior. É ela que recebe as doações, distribui os tecidos para as costureiras voluntárias, anota em um caderno todos os tamanhos das peças, coloca etiquetas e embala os vestidinhos um a um, numa caprichosa e carinhosa tarefa.

Mais de 400 vestidos estão prontos. Cada um mais bonito que o outro, com detalhes únicos. Fita, bico, laço, renda. Enfeites que incrementam os tecidos de algodão de estampas e cores diversas. No ritmo em que o projeto está, Tereza e Aída acreditam que farão mil meninas felizes. Uma escola de Araraquara, no interior de São Paulo, soube da iniciativa. Fez uma gincana com os estudantes e arrecadou mais de cem metros de tecidos. Outro colégio de Criciúma, no interior de Santa Catarina, apresentou a ideia aos alunos, que vão estudar sobre o Sertão pernambucano. Em seguida, farão desenhos para imprimir camisetas que serão doadas ao projeto. 

Enquanto essa reportagem era produzida, na casa de Aída, no Recife, chegou uma caixa vinda de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Nela, dezenas de bolsinhas e nécessaires para compor o look das garotas. Até agora, cada menina vai receber um vestido, uma pulseira, uma tiara ou fivela e uma calcinha. Houve a doação de sandálias, mas em pequena quantidade (30), por isso poucas terão sapato novo. “Conseguimos incluir os meninos no projeto. Já temos 200 bermudas prontas, mas faltam as camisas para completar. Há também 150 camisetas azuis precisando de 150 shorts. Nesse caso, necessitamos de doações de tecidos estampados, listrados ou quadriculados, que combinem com essa cor”, diz Aída.

Uma das responsáveis pela costura das bermudas é a autônoma Tetê Wanderley, 55, amiga de Tereza há mais de quatro décadas. “Acompanho o projeto de Tereza desde o início, mas só entrei nele em junho. Perguntava o porquê de os meninos ficarem de fora. Me prontifiquei a costurar mil bermudas. Para atingir esse número, tenho que fazer 50 peças por semana. Com a ajuda de Cláudia, funcionária da minha confecção, já produzimos 246”, relata Tetê. “É um prazer enorme participar. Fico com a alma leve, feliz por contribuir”, atesta.

A funcionária pública Maria Harten, 54, colega de trabalho de Tereza e Aída, comprou três tecidos e doou à campanha. Achou que poderia fazer mais. Está confeccionando tiaras e pulseiras. “O que mais me chamou a atenção é que as crianças do Sertão não vão receber uma roupa que é a sobra de alguém. Serão peças feitas com carinho e produzidas especialmente para elas”, ressalta Maria, que conta com a contribuição de sua secretária do lar, Eliete.

Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Projeto de costurar vestidos em algodão para meninas do Sertão pernambucano ganha reforço - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Projeto de costurar vestidos em algodão para meninas do Sertão pernambucano ganha reforço - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Projeto de costurar vestidos em algodão para meninas do Sertão pernambucano ganha reforço - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Projeto de costurar vestidos em algodão para meninas do Sertão pernambucano ganha reforço - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Projeto de costurar vestidos em algodão para meninas do Sertão pernambucano ganha reforço - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias