Saúde Animal

Recife: cadela morre sem atendimento em frente ao Hospital Veterinário

Hospital administrado pela Prefeitura da cidade foi inaugurado há menos de uma semana

Gabriel Dias
Gabriel Dias
Publicado em 14/06/2017 às 19:59
Foto: Reprodução
Hospital administrado pela Prefeitura da cidade foi inaugurado há menos de uma semana - Foto: Reprodução
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Menos de uma semana após a inauguração do Hospital Veterinário do Recife (HVI), circulam na internet depoimentos de donos de animais que não estão conseguindo atendimento no local. Em uma das publicações, uma mulher postou um vídeo no qual registrou o momento em que uma criança chora pela morte de uma cadela que não foi atendida na unidade de saúde. A publicação já conta com quase 400 curtidas. Em outro post, uma mulher escreveu que foi barrada na porta do hospital e ficou na chuva com uma poodle de 11 anos que estava sangrando. Os casos teriam acontecido na última terça-feira (13), no segundo dia após abertura da unidade para o público.

As publicações mostram as grades da unidade fechadas, enquanto donos de animais pedem socorro. Em um dos vídeos, uma criança lamenta a perda de uma cadela que morreu sem atendimento veterinário. Um adulto aparece nas imagens afirmando que fechou o comércio que tem para ir cuidar do animal e reclama pelo fato de ver o menino chorando com a morte da cadela.

De acordo com a protetora animal, Sandra Araújo, de 49 anos, que tentava socorrer uma cadela com febre, muitos animais ficaram sem atendimento na tarde da terça-feira. "Eu cheguei pouco antes das 14h e já tinham muitos animais. Só muito tempo depois apareceu um homem que nem era veterinário querendo fazer a triagem ali mesmo na rua. Tinham animais convulsionando e um cachorro nem conseguia ficar de pé", explicou à reportagem.

Segundo a protetora, ela mesma não conseguiu atendimento para sua cadela. "Eu fiquei esperando a triagem por quase duas horas e, quando chegou minha vez, o homem disse que o problema da minha cadela não era emergencial, que eu só seria atendida quando marcasse uma consulta. Voltei para casa, estou medicando sem prescrição e tentando ligar para marcar a consulta, mas só dá ocupado", afirmou.

Jéssica Dayane, 26, também tentou atendimento para sua cadela, uma poodle de 11 anos, mas não conseguiu. Segundo Jéssica, o animal estava passando mal e ela procurou atendimento na Universidade Federal Rural de Pernambuco, que a encaminhou para o Hospital Veterinário. "Quando cheguei, as grades estavam fechadas e o segurança disse que não tinha autorização para deixar ninguém entrar porque já estava lotado lá dentro. Começou a chover e não abriram a porta nem para a gente se proteger. Fiquei esperando meia hora, mas como minha cadela estava sangrando e vomitando, procurei uma clínica particular que me cobrou R$ 300,00 para fazer uma cirurgia no útero dela", afirmou Jéssica que está desempregada e disse que a cadela ainda corre risco de morte.

Resposta

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria Executiva de Direitos dos Animais do Recife, responsável pelo Hospital Veterinário, negou falta de atendimento e superlotação. De acordo com a nota, somente nos dois primeiros dias de funcionamento,"foram feitos 283 atendimentos - mais do que os cerca de 200 previstos por causa da grande procura da população devido à histórica demanda reprimida".  Ainda de acordo com a assessoria, nestes primeiros dias, o hospital funciona em horário comercial e atendimentos clínicos devem ser pré-agendados através dos telefones 3355-9415 e 3355-8179. "Já para as emergências, não é necessária a marcação, mas os animais precisam ser levados por uma adulto e passam por uma triagem feita por veterinários para saber se o caso é realmente urgente ou se é possível aguardar agendamento", continua a nota.

Sobre o caso da cadela que aparece morta nas imagens publicadas na internet, a Seda lamentou o ocorrido e disse que "o animal foi levado, no início da manhã, por duas crianças que não sabiam dar informações sobre a cachorra" e que "o veterinário que fez a triagem solicitou que os garotos voltassem acompanhados de um adulto, o que só veio a ocorrer à tarde", quando o animal já estava em óbito. Sobre outro cachorro que sofreu convulsões na porta do hospital, a nota afirmou que o animal chegou a ser atendido pelos veterinários do HVI, mas não resistiu e morreu. A assessoria não soube explicar o caso da poodle de 11 anos que não recebeu atendimento no hospital.

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