Saúde

Urologistas explicam os benefícios da cirurgia robótica no tratamento do câncer de próstata

Tecnologia reduz índices de incontinência urinária e impotência no pós-operatório

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 26/11/2016 às 8:23
Cláudia Araújo/Divulgação
Tecnologia reduz índices de incontinência urinária e impotência no pós-operatório - FOTO: Cláudia Araújo/Divulgação
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Na década de 1970, a cirurgia para tratar o câncer de próstata já era considerada o principal procedimento para curar a doença. A questão é que, entre os pacientes que sobreviviam à operação, 90% ficavam com incontinência urinária e praticamente 100% relatavam impotência sexual. Com o passar dos anos, a cirurgia evoluiu e proporcionou queda dos índices dessas complicações pós-operatórias temidas pelos homens com o tumor.

Essa história é contada pelo médico Misael Wanderley Júnior, chefe do setor de urologia do Hospital Esperança Recife – um dos que, na capital pernambucana, inauguraram recentemente a era dos robôs para proporcionar melhor qualidade de vida aos homens que lutam contra um tumor que (ainda) mata 25% dos pacientes.

Os urologistas habilitados a realizar a cirurgia robótica são unânimes ao garantir que a maior vantagem do procedimento é a precisão, em comparação à cirurgia aberta (que faz grandes cortes) e à laparoscópica, outro tipo de operação minimamente invasiva, mas que exige manipulação das pinças pelo cirurgião. Pela robótica, o médico comanda o procedimento a partir de uma mesa de controle – os instrumentos se movem de acordo com os comandos a distância; as imagens do corpo do paciente são vistas de forma ampliada, com nitidez e percepção de profundidade sem abrir o abdome.

“A robótica dá mais liberdade para fazermos movimentos durante a cirurgia. É um procedimento que diminui tempo de internamento, risco de sangramento e de infecção. Há pouca agressão cirúrgica e menor trauma”, esclarece Misael. Ele acrescenta que hoje, nos Estados Unidos, 90% das cirurgias para câncer de próstata são feitas pelo robô. “É um caminho sem volta.”

SEM COBERTURA

Aqui no Brasil, a realidade é diferente – pelo menos, por enquanto. Os planos de saúde não cobrem o procedimento, que tem custo elevado. Somente cinco Estados (SP, RS, RJ, CE e PE) contam com essa tecnologia. “A expectativa é de que, no futuro, os robôs estejam no serviço público, que hoje tem outras prioridades. Mas certo mesmo é que a robótica preserva, em 90% dos casos de câncer de próstata, a ereção. E esse é o maior desejo de quem tem indicação cirúrgica para tratar a doença. Pela videolaparoscopia, esse percentual fica entre 50% e 60%”, frisa o médico Guilherme Lima, coordenador do Serviço de Cirurgia Robótica em Urologia do Hospital Santa Joana Recife. Enquanto a cirurgia robótica ainda tem um alcance limitado, é importante passar a mensagem de que as outras operações, quando bem indicadas e conduzidas, também são eficazes para curar o tumor.

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