Zona Sul do Recife

Pedreiro morto durante abordagem policial no Bode é sepultado nesta segunda

Vítima estava na frente da casa onde mora, quando foi alvejada, segundo testemunhas, por um disparo feito por policiais que perseguiam um ex-presidiário.

JC Online
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Publicado em 19/06/2017 às 12:57
Foto: Luis Pessoa / JC Imagem
Vítima estava na frente da casa onde mora, quando foi alvejada, segundo testemunhas, por um disparo feito por policiais que perseguiam um ex-presidiário. - FOTO: Foto: Luis Pessoa / JC Imagem
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O corpo do pedreiro e vendedor de água mineral Ramon Gonçalves Cavalcanti, de 30 anos, será sepultado às 15h desta segunda-feira no Cemitério Parque das Flores, em Tejipió, Zona Oeste do Recife. Familiares e amigos prestam as últimas homenagens ao homem que foi morto na manhã do último sábado (17) durante ação da Polícia Militar na comunidade do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife.

Em entrevista à Rádio Jornal, a cunhada de Ramon, Meridiane Silva, afirmou que ele foi morto sem motivos. "Não tem como explicar a dor que a gente está sentindo. Só quem já perdeu alguém que ama de verdade sabe", declarou. A esposa do pedreiro, Margarida Alves, estava visivelmente abalada durante o velório e não quis conversar com a equipe de reportagem. Ela precisou ser amparada por parentes e em nenhum momento saiu do lado do caixão que abriga o corpo do seu marido.

Ramon estava na frente da casa onde mora, na companhia da esposa e irmãos e, ao se levantar para tentar escapar dos tiros, foi alvejado por um disparo, segundo os moradores, feito pelos policiais. O tiro atingiu o pedreiro na altura do peito. Ele não tinha nada a ver com o homem, identificado como ex-presidiário, que estava sendo perseguido. Ramon ainda foi levado na própria viatura da polícia para o Hospital da Restauração, no Derby, área Central do Recife, mas, segundo familiares, ele já teria dado entrada sem vida na emergência.

Ainda conforme Meridiane, seu irmão e Ramon teriam ido comprar material de construção antes da fatalidade. "Quando o meu irmão chegou em casa, foi falar com o vizinho sobre a reforma na casa dele. Nesse meio tempo, a viatura chegou, um homem que estava foragido correu e os policiais atiraram no meu cunhado, que estava sentado", afirmou. "Eu vi na hora que botaram meu cunhado na mala feito um cachorro. O irmão dele e o meu irmão queriam entrar na viatura para suspender a cabeça dele. Ele ainda estava respirando e lutando para sobreviver, mas não teve jeito", finalizou.

Segunda morte

Essa é a segunda morte que acontece em menos de uma semana durante abordagem policial na comunidade do Bode. Na noite da última quinta-feira (15), o estudante Esdras Henrique, de 19 anos, foi morto com um tiro na cabeça durante ação de policiais militares da Radiopatrulha. Na noite do sábado (17), moradores da comunidade do Bode interditaram os dois sentidos da Avenida Domingos Ferreira, na altura do Clinical Center, para protestar contra mais uma morte na comunidade, segundo eles, provocada por policiais militares.

Nota da PM

Em nota enviada à imprensa, a assessoria de comunicação da Polícia Militar esclareceu que no último sábado (17), equipes do 19º BPM entraram na comunidade do Bode e foram recebidas a tiros, respondendo a injusta agressão. Durante a troca de troca de tiros, uma pessoa ficou baleada.

A nota afirma que "os policiais socorreram o suspeito para o Hospital da Restauração, mas ele não resistiu e veio a óbito". O suspeito envolvido no tiroteio estava na liberdade condicional e foi preso por tráfico de entorpecentes. A ocorrência ficou registrada no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Ainda conforme a nota, na tarde da última sexta-feira (15), policiais militares da Radiopatrulha estiveram na comunidade do Bode para prender suspeitos de terem cometido o assassinato de um sargento da corporação, morto na última quarta-feira (14), em Olinda. Na ação policial, ao adentrar na região onde se encontravam os suspeitos, a PM foi recebida com vários disparos de arma de fogo.

A nota afirma que "os suspeitos conseguiram fugir, mas deixaram para trás um revólver calibre 38 com três munições deflagradas". O efetivo policial fez buscas no local, mas não deteve ninguém. A arma apreendida foi levada para a delegacia de Boa Viagem, onde ficou registrada a ocorrência.

Os moradores do Bode, no entanto, negam que tenha havido troca de tiros. Nenhuma informação foi dada sobre se os policiais serão afastados das operações de rua ou se serão abertas sindicâncias internas para investigar os casos.

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