Violência contra a mulher

Acusado de estupro na UPA é identificado e afastado das atividades

O homem, que é funcionário da UPA da Imbiribeira, será submetido à exame de DNA para comparar com o material genético encontrado na vítima

Elaine Santana
Elaine Santana
Publicado em 22/02/2018 às 12:12
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O homem, que é funcionário da UPA da Imbiribeira, será submetido à exame de DNA para comparar com o material genético encontrado na vítima - FOTO: Foto: Divulgação
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Após denúncia de estupro dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, a direção  identificou o suspeito de cometer o crime e o afastou das atividades, na manhã desta quinta-feira (22). Segundo a vítima, uma jovem de 18 anos, o ato aconteceu durante atendimento em um dos consultórios.

O acusado foi apontado pela mulher como um médico traumatologista que estava de plantão quando ela procurou atendimento devido a dores no braço após uma queda, nessa quarta-feira (21). Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde esclareceu que a vítima "foi encaminhada do IML para o Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa, localizado no bairro de Casa Amarela". No local, ela tomou as "medicações profiláticas contra infecções sexualmente transmissíveis (IST) e gravidez indesejada".

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) confirmou o afastamento de um médico e informou que abriu sindicância para apurar o caso. O suspeito será submetido a um exame de DNA para comparar com o material genético encontrado na vítima. A coordenação da UPA da Imbiribeira informou que "repudia veementemente qualquer tipo de violência contra a mulher e está à disposição dos órgãos competentes para apoiar as investigações do caso".

A delegada Ana Elisa Sobreira, da Delegacia da Mulher, esteve na unidade durante a manhã para colher material que auxilie na investigação. Imagens de câmeras de segurança, prontuário médico e relação de profissionais do plantão foram recolhidos como provas. 

Casos de abuso

O presidente do Cremepe, o médico André Dubeux, informou que nos 60 anos do Conselho, apenas quatro médicos tiveram a autorização de exercer a medicina cassada. Dois desses casos aconteceram na atual gestão, que teve início em 2013. Dos casos recentes, um foi por abuso de sexual. 

Entenda o caso

Segundo a denúncia registrada pela Delegacia da Mulher de Santo Amaro, o crime aconteceu por volta das 8h da quarta-feira (21). A jovem afirmou que, após sofrer uma descarga elétrica dentro de casa, ela caiu e procurou a UPA sentindo dores nas costas e na coluna. Na unidade, o médico traumatologista teria feito o exame inicial e pedido um raio-x.

Ao entrar na sala de atendimento, o médico teria passado a mão no corpo da paciente e pedido para que ela realizasse movimentos, como permanecer agachada com as mãos no chão. Ao ser questionado, o médico teria dito que os movimentos seriam um procedimento padrão daquele tipo de atendimento.

Ainda dentro da sala, segundo a denúncia, o médico teria abaixado o short da paciente e mantido relações sexuais com ela. Após o crime, o médico teria limpado e ainda prescreveu medicamentos para as dores que ela sentia no braço. 

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