Reconstituição

Perícia diz que trem que atropelou policiais militares não tem câmera

Instituto de Criminalística realizou a reconstituição do caso na Estação Joana Bezerra

JC Online
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Publicado em 17/05/2018 às 23:55
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Instituto de Criminalística realizou a reconstituição do caso na Estação Joana Bezerra - FOTO: Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Uma equipe do Instituto de Criminalística (IC) voltou, na noite desta quinta-feira (17) aos trilhos do metrô, próximo à Estação Joana Bezerra, no bairro de São José, Centro do Recife, onde dois policiais militares morreram e outros dois ficaram feridos após serem atropelados por um trem, na noite de terça-feira. A reconstituição foi comandada pelo delegado Paulo Jean e pelo perito Heldo Souza e teve a intenção de constatar o cenário do acidente (luz, barulho, movimentação na área, o declive da linha do trem etc).

“Vamos tentar reconstruir os fatos. A prioridade vai ser com relação à capacidade de visibilidade das vítimas e a auditiva também, que vai ser utilizada através de um instrumento chamado luxímetro. Esse trem é um modelo antigo e ele não tem câmera, nem interna nem externa”, informou o perito Heldo Souza.

A perícia estava marcada para começar às 20h, mas foi adiada para as 23h, horário em que o metrô fecha para passageiros. Dessa forma, não atrapalharia a operação dos trens.

Os policiais militares foram atropelados por um trem que seguia da Estação Joana Bezerra para a Estação Recife, durante uma ocorrência policial – eles procuravam pessoas suspeitas de tráfico de drogas. O sargento Eneias Severino Sena, 40 anos, morreu na hora. O cabo Adeildo José Alves, 40, chegou morto ao Hospital da Restauração.

Ontem o soldado Clécio Fagner Santos, 36, permanecia estável, na sala de recuperação, após passar por uma neurocirurgia na quarta-feira. Na colisão, ele sofreu um traumatismo raquimedular. Com fratura no braço esquerdo e uma contusão no abdome, o soldado Luciano Antônio da Silva, 35, está no Hospital da Polícia Militar. O quadro dele é estável.

O conjunto de laudos periciais produzidos desde o dia da tragédia deve ser entregue em 14 dias. O prazo para a conclusão do inquérito é de um mês.

OUVIDAS

O delegado Paulo Jean pretende começar as ouvidas do caso na próxima semana, pelo PM Luciano. “Ainda estamos reunindo material para sustentar a investigação. Vamos começar com o sobrevivente, assim que ele tiver condições de falar. Depois ouviremos o pessoal de operação e os vigilantes da CBTU.” O maquinista que dirigia o trem será ouvido por último. Afastado da função, ele não teve nome ou idade divulgados e está sendo acompanhado por uma equipe de psicólogos da CBTU.

Além da Polícia Civil, a Polícia Militar investiga as circunstâncias do atropelamento. O comandante da PM, coronel Vanildo Maranhão, informou que há indícios de ter ocorrido uma fatalidade e afirmou que não houve comunicação com o metrô sobre a operação nos trilhos porque se tratava de serviço de rotina. “Nós vamos instaurar um inquérito policial militar, mas eu conversei com os oficiais que estiveram presentes, com o Copom (Central de Operações Policiais Militares), com o comandante do 16 º Batalhão, tenente-coronel Silvestre, e as informações preliminares é de que foi uma fatalidade”, declarou. Segundo o coronel, não houve tiroteio ou confronto.

O acidente ocorreu na noite da terça. Seis policiais do Gati do 16º BPM perseguiam um grupo de traficantes que tinha pulado os muros do metrô para fugir.

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