VIOLÊNCIA

'Minha filha sofreu muito', diz pai de menina sequestrada pelo padrasto

Bastante abalado, o pedreiro João Pereira da Silva deu entrevista à imprensa no IML

Bianca Bion
Bianca Bion
Publicado em 17/12/2018 às 5:07
Foto: Divulgação/PCPE
Bastante abalado, o pedreiro João Pereira da Silva deu entrevista à imprensa no IML - FOTO: Foto: Divulgação/PCPE
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Bastante abalado, o pedreiro João Pereira da Silva contou que quando a filha Maria Irlaine o visitava, em Barra de Guabiraba, não queria mais voltar para casa, no Cabo de Santo Agostinho, onde vivia com a mãe e o padrasto. Em entrevista à imprensa, no IML do Recife, no domingo (16) de manhã, ele disse que teve contato com a menina há cerca de seis meses.

PERGUNTA - O senhor que encontrou o corpo de Irlaine?

JOÃO - Foi muito sofrimento. Eu e meu cunhado fomos na sexta, em Ribeirão, procurar e não achamos. Andamos muito, mas estávamos cansados e fomos embora. Se a gente tivesse descido mais um pouco, tinha achado. No sábado juntamos um grupo de uns 15 homens, alugamos um carro e voltamos. A uns 600 metros do local em que o padrasto dela morreu estava o corpo, debaixo de uma moita. Foi um crime bárbaro, uma cena muito triste.

PERGUNTA - Como ela estava?

JOÃO - Minha filha sofreu muito, deve ter sido torturada, tentando se livrar dele. Acho que ele esganou a goela dela porque ela estava com a língua para fora. Estava também com uns arranhões no pescoço e no quadril. É difícil, eu não esperava uma coisa dessa, a dor é muito grande. Infelizmente aconteceu, agora espero que Deus tome conta da alma dela. Foi muita crueldade, ruindade, é um animal. Esse homem é um monstro, nem no inferno o diabo vai querer um cara desse. 

ÚLTIMO CONTATO

PERGUNTA - Quando o senhor teve o último contato com sua filha?

JOÃO - Faz uns seis meses. A gente percebe o jeito de um filho. Ele não deixava ela ter contato com ninguém da família. Eu ligava, mas não conseguia falar com minha filha. Quando ela ia pra minha casa, fazia cara de choro na hora de voltar para o Cabo e pedia pra não ir. Mas o padrasto chantageava, dizendo que ia comprar as coisas, dar um celular, ela acabava indo.

PERGUNTA - O senhor acha que José Carlos fazia mal à sua filha?

JOÃO - Ela estava triste nas últimas vezes que a gente se encontrou. Mas não contava com medo, eu acho. Ela gostava muito do padrasto. Eu já tinha dito a ela que não sentasse no colo dele, que não fosse sozinha pra o colégio com ele, que só saísse com a mãe dela junto. Cheguei até a reclamar algumas vezes. Minha filha era uma bênção de Deus, de tão boa que era. Agora só Deus para confortar.

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