PETROLINA

Bodódromo passa por dificuldades

Um dos principais pontos turísticos da cidade sertaneja, o centro culinário tem passado por dificuldades próximo de completar 20 anos de existência

Emanuel Andrade e Laína Ramos
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Emanuel Andrade e Laína Ramos
Publicado em 20/02/2016 às 17:56
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Um dos principais pontos turísticos da cidade sertaneja, o centro culinário tem passado por dificuldades próximo de completar 20 anos de existência - FOTO: Foto: Divulgação
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PETROLINA – Quem viaja a Petrolina pela primeira vez, seja como turista ou a trabalho, não deixa de pedir a amigos que o leve até o Bodódromo, no bairro da Areia Branca, para saborear as iguarias do maior centro gastronômico do interior do Nordeste especializado em carne de bode.

Desde o final da década de 90 do século passado, o famoso complexo de restaurantes ganhou espaço definitivo no bairro da Areia Branca. Basta o nome de Petrolina aparecer nos catálogos das agências de viagem, o Bodódromo está lá, entre as dicas de gastronomia regional, com destaque para o tradicional cardápio de bode ou carneiro assado/cozido acompanhado de feijão tropeiro ou baião de dois, arroz, pirão e verduras.

Ao longo dos anos, o cardápio se ampliou também com peixes, churrascos e até pizzas. Em 2017, o complexo completará 20 anos de sua fundação, mas não tem muito a comemorar diante as dificuldades que o espaço vem enfrentando em sua infraestrutura, perdendo a identidade original que havia no começo e a interação entre os comerciantes da área.

Dos dez restaurantes construídos, apenas sete estão funcionando. Na área da praça de lazer, dos quatro quiosques construídos com recursos do BNDES, somente um abre à noite para a venda de tapiocas. A escultura artística de um bode que ficava num canteiro decorado da entrada principal foi roubada e até hoje não foi reposta. Ficou apenas a placa indicativa do espaço.

No estacionamento, há disputa diária de flanelinhas. A padronização linear dos restaurantes que havia após a inauguração já perdeu a característica original. Hoje há até um dos pontos decorados pneus usados como vasos de plantas.

Proprietário de um dos pontos, o Papas II, o comerciante Geraldo Henrique de Lima não esconde sua paixão pelo complexo culinário, porém lamenta que a situação tenha chegado a esse ponto, primeiramente por falta de união entre todos os donos dos restaurantes. “Sempre defendi que tudo isso era pra funcionar como uma espécie de condomínio, mas nunca houve união dos comerciantes e do poder público. Então, vamos trabalhando à maneira de cada um”, argumenta Geraldo.

Para ele, seria importante que a Prefeitura organizasse os estacionamentos, desapropriando alguns trechos que tornaram áreas privadas e ainda que houvesse uma proposta continuada de marketing coletivo. “Mas o problema é que cada um só pensa no seu estabelecimento, afinal são todos concorrentes”, observa. No mês passado, um dos pontos, a Cellys Pizzaria, que funcionou por quase três anos, tinha em seu cardápio pizza com recheio de carne de bode, fechou suas portas, assim como o Beradêro, outro ponto tradicional.

HISTÓRICO

Dona do Bode Assado Curaçá, há seis anos, Adelma Nunes da Silva recebeu o ponto de seu pai e sempre gostou de estar no empreendimento. Ela também lamenta as dificuldades que o segmento vem passando principalmente pela constante alta do preço da carne de bode. “As pessoas ainda procuram bastante o Bodódromo pela sua história e o bom cardápio. Não está sendo fácil manter o espaço por vários motivos, a começar pelo encarecimento dos produtos, o que atrapalha de certa forma”, diz.

Segundo ela, o estacionamento tem ficado pequeno, os pedintes crescem na área, há precariedade nos serviços de esgotos sempre estourados na avenida principal e algumas ruas próximas. “A desunião entre os proprietários também barra o crescimento coletivo”, aponta.

Para ocupar um espaço no complexo de restaurantes, não é tão simples. Alguns pontos são próprios e repassados de pai para os filhos. Também há pontos arrendados ou alugados. Contudo, devido ao não cumprimento da quitação de débitos bancários, um ou outro espaço está sob judice.

A história de tradição culinária do Bodódromo começou no bairro da Areia Branca no final dos anos 80, quando comerciantes improvisavam suas barracas com madeira e lonas para vender carne de bode e bebidas. O movimento foi crescendo pelo boca a boca. Em 1997, a prefeitura idealizou e estruturou o Bodódromo a partir de uma associação, que nos últimos 20 anos tem se dissolvido. Indiferentes de certa forma aos problemas, os visitantes querem mesmo é saborear o que há de melhor no cardápio dos restaurantes. 

Apesar de tudo, o local não para de receber turistas, principalmente nos fins de semanas ou em temporadas de grandes eventos na cidade. O analista jurídico Eduardo Mariano sempre que tem tempo faz questão de ir lá com a família. “É o lugar onde posso ficar com minha esposa e filhos tranquilos, provando da boa música e de um gostoso bode assado na brasa. Sempre que chega um visitante de outros locais em nossa casa o convidamos para comer 

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