Agreste

Prefeitura de Bom Jardim derruba prédio protegido como patrimônio histórico de Pernambuco

Imóvel, que é patrimônio histórico, foi destruído para que uma estrada fosse alargada, afirmou o secretário de administração da cidade

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 05/12/2019 às 20:09
Notícia
Foto: Cortesia
Imóvel, que é patrimônio histórico, foi destruído para que uma estrada fosse alargada, afirmou o secretário de administração da cidade - FOTO: Foto: Cortesia
Leitura:

O antigo armazém da Estação Ferroviária de Bom Jardim, prédio protegido como patrimônio histórico pernambucano, foi derrubado pela prefeitura do município, situado no Agreste do Estado. De acordo com o secretário de administração da cidade, Lúcio Mário Cabral, a gestão precisava do espaço ocupado pelo imóvel para alargar uma estrada de ligação das rodovias PE-88 e PE-90, no Centro.

Depois de vistoriar a obra de demolição, na última quarta-feira (04), a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, notificou a prefeitura e acionou a Promotoria de Justiça do município. “Solicitamos do Ministério Público do Estado a abertura de inquérito civil para apurar a responsabilidade pelo dano causado ao patrimônio”, informa o vice-presidente da Fundarpe, Severino Pessoa.

História

Construído na década de 1930, o armazém atendeu a Rede Ferroviária Federal até 1968, quando a estação de Bom Jardim foi desativada. De 1976 a 1991, a edificação abrigou uma agência do Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe). Dos anos 2000, até a semana passada, funcionava como sede da Secretaria de Educação. A destruição aconteceu na madrugada da terça para a quarta-feira, segundo a Fundarpe.

O conjunto ferroviário de Bom Jardim – estação, armazém e dique – encontra-se em processo de tombamento desde 2006, numa ação que prevê a proteção de 66 estações (incluindo prédios associados, como armazém, caixa d’água, casa de mestre de linha, túnel, pontilhão) em 53 municípios, do litoral ao Sertão. “Por isso o processo é demorado”, justifica Severino Pessoa.

Um bem nessa situação, diz ele, conta com todas as proteções legais de um imóvel já tombado. “O município agiu de forma ilegal, na calada da noite, a prefeitura não podia jamais ter feito isso. Qualquer obra no conjunto ferroviário em processo de tombamento deve ser comunicada previamente à Fundarpe e nós fomos surpreendidos com a demolição do armazém”, destaca.

Em entrevista por telefone, Lúcio Mário Cabral argumentou que a edificação estava descaracterizada. “Era um prédio com problemas sérios, não valia a pena fazer manutenção”, afirma o secretário. “A prefeitura nunca nos procurou para dizer que estava com dificuldades para cuidar desse patrimônio e o armazém estava íntegro externamente, as modificações foram na área interna”, rebate Severino Pessoa.

Professor de história em Bom Jardim, Uenes Gomes Barbosa afirma que o armazém se encontrava em bom estado de preservação, externamente. “As transformações internas não comprometeram as fachadas”, declara Uenes Gomes. Segundo ele, a prefeitura também derrubou a antiga Estação Lagoa Comprida, um povoado de Bom Jardim, e fez no lugar um prédio novo para abrigar a Escola Severino Chaves.

“Vamos organizar encontros para debater o assunto”, informa Uenes Gomes. O dique, onde se guardava ferramentas e equipamentos da rede ferroviária, é usado como estacionamento. Na Estação Bom Jardim funciona a sede do governo municipal. “Conservar o patrimônio ferroviário é preservar a memória nacional e a história do município”, ressalta Severino Pessoa. A Fundarpe aguarda a resposta da prefeitura.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias