descaso

Pacientes sofrem por falta de leito no Hemope

Na falta de leitos disponíveis, pacientes com anemia falciforme, os que mais frequentam a unidade, chegam a forrar os bancos da recepção com papelão para se acomodar

Emídia Felipe
Emídia Felipe
Publicado em 02/12/2011 às 23:09
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A superlotação no Serviço de Pronto Atendimento do Hospital da Fundação Hemope, no Recife, está fazendo com que cadeiras se transformem em camas improvisadas. Na falta de leitos disponíveis, pacientes com anemia falciforme, os que mais frequentam a unidade, chegam a forrar os bancos da recepção com papelão para se acomodar.

“Muitos pernoitam no hospital nessa situação de sofrimento”, denuncia Carlos Freitas, ouvidor da Associação de Defesa dos Usuários do Sistema de Saúde (Aduseps).

A superlotação do SPA, que diariamente abriga o dobro de sua capacidade, também foi constatada em fiscalização do Conselho Estadual de Saúde, que procurou a unidade para levantar as dificuldades atuais e mudanças em curso em razão do fechamento do Centro de Transplante de Medula Óssea (transferido para outra unidade do SUS).

Conforme relato dos conselheiros, na segunda-feira (28), entre o público que lotava o SPA, cinco pacientes aguardavam vaga em enfermaria há mais de quatro dias.

O diretor do Hospital do Hemope, Aderson Araújo, confirma a superlotação e o uso das cadeiras como leitos. Nesta sexta (2), por exemplo, havia 18 doentes no serviço que só deveria comportar dez. “Essa situação é real, preocupa a todos nós e é injusta”, classifica.

Segundo ele, o número de pessoas com anemia falciforme no Grande Recife é enorme. “Existem cerca de 1.500 portadores de doença falciforme. Nas crises, quando sentem muitas dores, precisam vir ao hospital. Uns tomam a medicação e retornam imediatamente para as suas casas. Outros precisam permanecer mais tempo no hospital, até que os remédios façam efeito”, explica, descrevendo a disputa por vagas. Como o SPA recebe também pessoas com leucemia, os leitos oficiais (camas) são ocupados por eles, os de estado mais grave.

Mas conforme o diretor, a partir do próximo dia 12, o fluxo será outro na emergência, com a abertura de dez leitos nas enfermarias do quinto andar do prédio inaugurado em 2004 e que está parcialmente ocioso, desde então, por falta de pessoal. Com o fechamento do Centro de Transplante de Medula Óssea, a equipe foi remanejada para o SPA e a nova enfermaria. Há proposta de ampliação de leitos para hematologia no Hospital das Clínicas da UFPE. E espera por 12 leitos de hematologia no Hospital Oswaldo Cruz. Isso aliviaria a demanda concentrada no Hemope.

“A Secretaria Estadual de Saúde está tentando resolver os problemas do Hemope, como a correção do déficit de médicos do ambulatório”, acrescentou o diretor.

» Veja vídeo concedido pelo ouvidor da Aduseps, Carlos Freitas:

*O vídeo foi desfocado para preservar a identidade dos pacientes.

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