saúde

Nova arma para barrar a dengue

Aspiradores do Aedes aegypti diminuem o uso de inseticidas

Betânia Santana
Betânia Santana
Publicado em 26/06/2014 às 6:25
Foto: Heudes Regis/JC Imagem
Aspiradores do Aedes aegypti diminuem o uso de inseticidas - Foto: Heudes Regis/JC Imagem
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A proteção aos turistas que desembarcam no Recife para ver a Copa do Mundo inclui um instrumento desconhecido de muitos, mas que vem se popularizando na luta contra a dengue. O aspirador de mosquitos – um artefato simples, composto por um cano PVC, espécie de ventilador que atrai o Aedes aegypti, e um saco que detém o inseto – começou a ser experimentado na década passada contra a muriçoca da filariose e agora tem se tornado mais usual contra o Aedes, em substituição ao fumacê e aos inseticidas que causam prejuízo ao homem e ao ambiente. 

Um estudo recém-concluído na unidade pernambucana da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que a arma é eficaz não só para monitorar a infestação, mas para barrar o ataque às pessoas. “É uma ferramenta limpa, que pode vir a reduzir o uso dos inseticidas”, acredita a bióloga Vânia Nunes, autora do trabalho. Supervisora da vigilância entomológica (de insetos) do Centro de Vigilância Ambiental do Recife, ela avaliou o uso da versão maior do aparelho em duas áreas endêmicas da capital, no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte, onde foram monitorados 75 imóveis num prazo de um ano.

A cada mês, as residências tiveram os cômodos aspirados durante 15 minutos, por três dias consecutivos, sempre no começo da manhã. No total, foram coletados 2.133 Aedes, 1.230 deles fêmeas, justamente as responsáveis pela transmissão da doença ao longo de todo o ciclo de vida, que gira em torno de 45 dias. 

O mosquito da dengue representou de 41% a 61% das muriçocas aspiradas. Nessa operação, foram coletados 11.564 exemplares de Culex quinquefasciatus, transmissor do parasita da filariose linfática e que se multiplica na água de esgoto.

Vânia resolveu fazer o estudo no mestrado profissional, a partir da constatação de que os aspiradores de mosquito recebidos pela Prefeitura do Recife, em 2007, para coleta do Culex, ficavam ociosos por longos períodos. 

“Como a coleta não era contínua, os equipamentos eram guardados. Daí, a ideia de utilizá-los na captura do Aedes”, explicou Vânia. “Em vigilância ambiental um só método não resolve. Quanto mais fases da vida do inseto acompanhamos, melhor torna-se o controle”, completou, lembrando a importância do combate às larvas e a prevenção dos criadouros.

Jurandir Almeida, gerente de Vigilância Ambiental do Recife, explica que a prefeitura está adquirindo mais 20 aspiradores. Na rotina, são usados em locais com grande aglomeração, como escolas, hospitais e postos de saúde. Daí a opção de ter usado os aspiradores nas áreas internas do Terminal Marítimo do Recife e no entorno da Fan Fest, ambos no Bairro do Recife. A Secretaria Estadual de Saúde também faz uso de aspiradores e reduziu a quatro o número de carros de fumacê no Estado.

Para Cláudia Fontes, pesquisadora da Fiocruz que orientou o estudo de Vânia, os aspiradores estavam ociosos porque não havia estudos para avaliar a capacidade de capturar os mosquitos com uma metodologia proposta, como fez Vânia Nunes. “Um novo instrumento para ser proposto e em seguida incorporado em um programa de controle necessita de várias investigações que demonstrem sua eficácia”, afirma. O aspirador, segundo ela, presta-se a duas diferentes ações: monitorar e controlar a população de mosquitos de forma integrada a outros instrumentos. “A vantagem está em atingir a forma adulta do mosquito. Não há instrumento melhor que o aspirador quando se trata do Aedes aegypti.


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