SAÚDE

Casos de difteria em Pernambuco acendem o alerta para importância da vacinação

Especialistas reforçam que é fundamental tomar a dose de reforço, que confere imunidade contra a doença

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 10/09/2015 às 6:44
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Depois que o estudante Paulo Sigernando da Silva, 14 anos, morreu com sintomas de difteria (febre, dificuldade respiratória, edema de pescoço e dor na garganta) em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, apareceram outras três pessoas no Estado com o quadro clínico semelhante – todas adultas. Os casos ainda são suspeitos, mas já acende o alerta para o fato de que vacina, inclusive contra difteria, não é só assunto de criança.

Os irmãos gêmeos de Paulo, de 19 anos, que estão internados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, em Santo Amaro, área central do Recife, passam bem. Eles apresentavam sinais brandos da doença e agora já estão sem febre e lesões na garganta. “Sabemos que, embora tenham feito o esquema vacinal corretamente na infância, não tomaram a dose de reforço, que é essencial para conferir imunidade contra a difteria”, diz o infectologista do Huoc Demétrius Montenegro. 

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Difteria -

Dessa maneira, ele alerta para a necessidade de toda a população, independentemente da idade, ficar atenta à carteira de vacinação. Além dos casos suspeitos de Salgueiro, há uma mulher de 57 anos internada no Real Hospital Português, em Paissandu, área central do Recife, com sintomas de difteria. Moradora do bairro de Casa Amarela, Zona Norte da cidade, ela deu entrada na unidade de saúde no dia 16 de agosto.

O hospital informa que o estado de saúde dela está em sigilo, mas a Secretaria de Saúde do Recife adianta que foi realizada a coleta de secreção do nariz e da garganta da paciente para confirmação (ou não) da doença, o que deve ser feito em breve com o resultado do exame. As pessoas próximas à paciente estão em tratamento medicamentoso e foram imunizadas.

Para quem não faz ideia se já tomou alguma dose da vacina contra difteria, que também protege tétano, a recomendação é iniciar um esquema de vacinação. “São pessoas que devem tomar três doses de DT. É preciso ter um intervalo de dois meses entre casa dose”, explica o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, que pede para a população ficar atenta ao tempo do reforço, a cada dez anos.

“Infelizmente, ainda há muita gente que só deixa para tomar a DT quando se cortam, levam uma furada no pé com um prego ou se acidentam. São situações que expõem ao risco de tétano. Mas precisamos acabar com essa resistência dos adultos em relação às vacinas”, salienta Eduardo Jorge. Ele ainda chama atenção para os sintomas da difteria, que tem como marcador importante lesões branco-acinzentadas que cobrem as amídalas. 

“Com a bactéria em circulação, é importante que os médicos passem a ficar atentos ao quadro clínico da doença, a fim de ser feito um diagnóstico correto e tratamento adequado, se necessário”, ressalta Demétrius. Ele acrescenta que os quatro casos que foram confirmados em Chã Grande, no Agreste, evoluíram de forma amena, mas há situações em que a difteria pode ser mais agressiva.

“Por enquanto, não podemos falar em epidemia da doença, mas é certo que os médicos que trabalham nos postos de saúde precisam ficar mais atentos a casos que possam ser suspeitos”, finaliza Demétrius. 

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