denúncia

Moradores denunciam problemas em posto de saúde na Zona Oeste

As queixas da comunidade englobam do ar-condicionado quebrado na recepção até a falta de medicamentos como vitamina C.

JC Online
JC Online
Publicado em 27/01/2017 às 14:08
Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
As queixas da comunidade englobam do ar-condicionado quebrado na recepção até a falta de medicamentos como vitamina C. - FOTO: Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Leitura:

Os usuários da Unidade de Saúde da Família da Brasilit, situada na rua Emiliano Braga, 871, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife, tem razão para reclamar da situação do local. É que os problemas começam quando se cruza a porta de entrada do posto. A recepção que comporta cerca de 20 pessoas sentadas, estava lotada de rostos cansados e abanadores improvisados. É que o ar-condicionado que fica em uma das extremidades do cômodo, está quebrado há mais de um ano, de acordo com moradores.

“A gente traz nossos filhos para cá, mas chega aqui e tem que tirar toda a roupinha deles porque o calor é insuportável”, conta o agente socioeducativo, Jorge Freire, que levou a pequena Larissa, de 6 meses para tomar vacina. A bebê recebeu a prevenção, porém teve o atendimento de rotina reagendado para o próximo dia 16 de fevereiro. “Ninguém explicou o porquê disso”, continua o pai da menina. Os usuários também dizem em uma só voz que quando um médico entra de férias ou falta por algum motivo, não é substituído. E que, no momento, não tem dentista atendendo no local. 

Nossa equipe de reportagem não teve autorização para entrar na Unidade de Saúde da Família da Brasilit, e só chegou a conferir, de fato, a recepção do local. O não funcionamento do ar-condicionado poderia ser aliviado pela existência de um bebedouro de água, mas este equipamento nem existe no local. Os moradores comentam que há cerca de 4 anos atrás, havia um bebedouro, mas foi retirado após uma reforma e se eles pedem água aos funcionários e seguranças, é negada. “Uma vez eu pedi um copo de água ao segurança e ele disse bem claro que era só pra funcionários. Lá dentro eles tem ar-condicionado, ventilador, água. E a população, como fica? Não tem tem balança para medir as crianças aqui. Nem a régua também. É muito precária a situação”, afirma Rafaela Ramos, dona de casa, mãe da pequena Amélia, de 1 ano e 1 mês. 

A balança e a régua seriam apenas um dos itens que faltam na unidade de saúde. Os usuários também reclamam da falta de remédios, que vai de medicamentos mais simples como vitamina C e pomada para assaduras até remédios para pressão arterial, como o Losartan. A falta de algumas vacinas para as crianças também é questionada, porém, nenhum dos entrevistados soube indicar alguma vacina que estivesse faltando no momento. “Como que um posto de saúde não tem um remédio simples desse? Minha filha precisa e eu não tenho como comprar. E agora?”, completa a dona de casa.

DEMORA

Outro alvo de reclamação, é a demora para marcação, realização e recebimento de exames e também a falta de regularidade das visitas em casa dos agentes de saúde da família. Os moradores comentam que já passaram até seis meses para marcar um ultrassom e que, mesmo com problemas de mobilidade, as vezes tem que ir até o posto pois nenhum agente foi até suas casas. 

Em nota, por intermédio da Secretaria de Saúde do Recife (Sesau), a Gerência do Distrito Sanitário IV, responsável pela Unidade de Saúde da Família Brasilit, informou que já solicitou o conserto do ar condicionado, mas a empresa terceirizada responsável por isso, ainda não deu nenhum prazo para realização do serviço. Com relação a falta de bebedouros, a Gerência esclarece que no local havia dois, mas que o da recepção foi quebrado por mau uso e está passando por manutenção. De toda forma, os profissionais devem oferecer água aos usuários que pedirem.

A Gerência informou que a balança para medição pediátrica realmente está em manutenção, mas que, infelizmente, não tem prazo para o conserto do item. Quanto à régua, chamada de antropométrica pediátrica, foi informado que o equipamento está funcionando normalmente. Em relação à falta de medicamentos e vacinas, a Gerência disse que não há desabastecimento na farmácia, e que itens como vitamina C e óxido de zinco, tem um tempo de reposição quando a demanda aumenta. 

Sobre a demora para marcação, realização e recebimento de exames, a Gerência do Distrito IV explicou que a ação é de responsabilidade do Sistema de Regulação, e que as filas dependem da especialidade. As coletas de sangue na unidade acontecem todas às terças e quintas pela manhã, e que a entrega dos resultados está regular. A Equipe de Saúde Bucal está em férias e voltará ao trabalho em fevereiro. Sobre a visita dos agentes de saúde da família, a Secretaria de Saúde orienta que os usuários formalizem a queixa na Ouvidoria do SUS (0800.281.1520). A Gerência ainda afirmou que na última quarta-feira de cada mês realiza uma reunião com a comunidade para discutir melhorias na assistência à população.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias