4 DE MARÇO

Dia Mundial da Obesidade é também dia de combate ao preconceito

Esta quarta-feira (4) marca o Dia Mundial da Obesidade

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 03/03/2020 às 18:34
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FOTO: AGÊNCIA BRASIL
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2025, existam 700 milhões de pessoas obesas - FOTO: FOTO: AGÊNCIA BRASIL
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700 milhões de pessoas. Este é o número que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima para a quantidade de obesos no mundo até 2025. Como uma forma de alertar a população para os riscos provocados pela condição, foi instituído o Dia Mundial da Obesidade, que neste ano acontecerá nesta quarta-feira (4). Mas para além dos riscos à saúde, as pessoas obesas ainda precisam enfrentar mais um problema: o preconceito.

Mari Cid, publicitária e considerada obesa de grau 2 pelo cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), já passou por preconceito na família, em um relacionamento amoroso antigo, em lojas e amigos já chegaram a criticar seu peso. "Eu fui engordar mais velha, porque, apesar de toda a minha família ser de obesos, minha mãe controlava muito a minha alimentação e eu praticava bastante exercício no colégio. E tudo mudou quando eu comecei a trabalhar. A minha alimentação ficou muito desregrada, eu fazia muita hora extra, almoçava tarde e às vezes não chegava nem a almoçar", contou. "Mesmo eu sendo mais velha e a maioria das pessoas na minha família serem obesas, eu sofri muito preconceito por parte deles", relatou a publicitária de 27 anos. Segundo ela, foi necessário se afastar de alguns familiares para evitar mais comentários constrangedores em relação ao seu corpo.

No antigo relacionamento amoroso, Mari disse que as coisas mudaram completamente quando ganhou peso. "Quando eu comecei esse relacionamento meu peso era um e, quando eu terminei meu peso era outro. E isso influenciou muito. Eu comecei a ver que a pessoa, realmente, se baseava no meu corpo e começou a ter atitudes que não me agradavam", disse.

Nas redes sociais, a publicitária encontrou um aliado no combate ao preconceito e busca incentivar as pessoas na aceitação de seus corpos em relação a estética. "Acho que foi em 2015 quando teve o 'boom' do movimento body positive e eu comecei a acompanhar pessoas que eu via e pensava: 'caramba, essa menina coloca a barriga de fora e não tem nem vergonha'. E eu pensei se podia fazer o mesmo", contou. Mari usa o Instagram para compartilhar dicas de moda e onde é possível encontrar roupas por um tamanho maior.

Por outro lado, os médicos alertam para os problemas de saúde provocados pela obesidade. Segundo a médica no ambulatório de Endocrinologia do Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Patrícia Gadelha, uma pessoa obesa tem mais probabilidade de desenvolver doenças futuras. "Um estudo feito recentemente mostrou que, mesmo os pacientes obesos tenham taxas normais, eles vão ter, ainda, um risco de mortalidade que vai ser vinte e cinco por cento maior do que os pacientes que não são obesos. Além disso, as pessoas podem ser saudáveis em determinado momento, mas a chance dele apresentar, daqui a um ano, diabetes, hipertensão, colesterol alto, é muito maior das que não são", explicou.

No entanto, Patrícia alertou para o pensamento de que as pessoas magras sempre são saudáveis. "Isso não significa que nem todo mundo que é magro, está saudável. Porque existe aquele paciente que é mais magro, mas é sedentário, que tem acúmulo de gordura visceral. Então também existe isso", disse.

De acordo com a médica, a obesidade pode ser tratada com mudança na alimentação, atividades físicas e, em alguns casos com medicação e também com a cirurgia bariátrica. “Existe, no Brasil, medicamentos aprovados, seguros e eficazes que tratam a obesidade. Mas tem gente que tem muito preconceito e fala que o paciente tem que emagrecer sozinho porque acha que tomar remédio para emagrecer é errado e não é isso. Existem medicamentos que são seguros para aquele perfil de paciente, mas é claro, todos esses medicamentos têm uma limitação até de eficácia”, explicou. "Geralmente, nós indicamos a cirurgia apenas em caso de falha no tratamento clínico. Não é a primeira opção", acrescentou. Patrícia explicou que os fatores que levam à obesidade podem ser, entre outros, o estilo de vida, genética e ambientais.

Cálculo da obesidade

A obesidade é diagnosticada, principalmente, pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Ele é calculado dividindo o peso pela altura elevada ao quadrado. Existem três graus de obesidade: 1, 2 e 3. O paciente é considerado obeso grau 1 quando apresenta IMC entre 30 e 34,9, grau 2 quando o IMC é de 35 a 39,9 e, acima de 40 é considerado o grau 3. O termo "obesidade mórbida", que seria a obesidade grau 3, não é usado pelos médicos.

No entanto, o IMC não é a única forma de identificar a obesidade. O exame de bioimpedância, por exemplo, analisa a composição corporal, indicando a quantidade aproximada de músculo, osso e gordura.

Para evitar problemas com a obesidade, a nutricionista Renata Fernandes aconselha fazer atividades físicas regularmente, optar por carboidratos mais saudáveis, que são aqueles que têm fibra, reduzir o consumo de açúcar e sal, evitar alimentos industrializados e preferir alimentos naturais.

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