Teatro

Ninguém dominou Shakespeare como Heliodora, diz Fernanda Montenegro

A crítica teatral famosa por dominar o poeta inglês morreu nesta sexta-feira (10), aos 91 anos

Da Folhapress
Da Folhapress
Publicado em 10/04/2015 às 13:24
Foto: Vanor Correia / GERJ
A crítica teatral famosa por dominar o poeta inglês morreu nesta sexta-feira (10), aos 91 anos - FOTO: Foto: Vanor Correia / GERJ
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Atores e diretores lamentaram a morte da crítica teatral Barbara Heliodora, aos 91 anos, nesta sexta-feira (10).

Uma das críticas mais temidas do teatro, ela foi considerada a maior especialista em William Shakespeare do Brasil e traduziu várias de suas peças.

Para o ator Miguel Falabella, o caráter implacável de Heliodora era uma virtude. "Ela era dura, mas o teatro não é lugar para pessoas frágeis", disse ele à reportagem.

Leia, abaixo, a repercussão:

Fernanda Montenegro, atriz

"Ainda estamos vivos. Nós éramos amigas de muitos anos. É uma mulher que tem uma dimensão única dentro da história do teatro brasileiro, até mesmo dentro do campo dos estudos do teatro no Brasil. Ninguém dominou profundamente como ela dominou toda essa herança shakespeariana, que, na verdade, é uma herança que definiu e criou o homem contemporâneo. Ela se debruçou sobre essa herança, que a fez especialíssima dentro do panorama do teatro brasileiro."

Miguel Falabella, ator e diretor

"A Barbara foi uma mulher encantadora, que amava teatro. Ela era dura, mas o teatro não é lugar para pessoas frágeis. Ela era muito enfática. Conseguiu desafetos na carreira por isso. Eu nunca me incomodei. Mas quando gostava de uma peça, gostava muito. Ela não era careta, era uma mulher muito culta. Ela tinha uma visão holística do teatro. Ela já me bateu pesado algumas vezes. Quando ela não gostava alguma coisa minha, criticava violentamente, mas nunca me incomodei porque via que ela era uma apaixonada pelo teatro."

José Possi Neto, diretor

"Acho que [com a morte dela] desaparece todo uma geração de atitude de jornalismo ligado à arte. Ela era alguém muito conhecedora de teatro. A crítica hoje perde a importância, não determina mais se o público vai ou não vai ao teatro. Ela tinha ainda uma identidade. Ela foi uma professora, apaixonada por Shakespeare. Ela sempre se colocou de uma forma muito rígida, muito purista. Ela teve dificuldade de aceitar certos experimentalismos. Mas, ao mesmo tempo, eu a vi às vezes vibrar com propostas que eram difíceis. Foi uma professora, uma amante do teatro."

Claudio Botelho, diretor

"Eu a considero como o único crítico de teatro de teatro brasileiro que conseguiu tornar a crítica um assunto popular. Eu sou bem próximo da família. Eu dizia: 'Barbara, você é pop'. Ela era assunto de cabeleleiro, e isso é muito raro em um país como o nosso. Ela tinha uma comunicação com o leitor muito forte. Isso nós não vamos ter tão cedo novamente. Desde que a Barbara deixou de escrever, acho que a gente empobreceu muito [em relação a críticas de teatro]. Acho que o Shakespeare perdeu a sua grande namorada no Brasil."

Antonio Abujamra, ator e diretor

"Eu fiquei muito abalado com essa notícia. Eu amava essa mulher. Era uma pessoa indispensável para a cultura brasileira."

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