Adaptação

'Os Guardas do Taj': Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi celebram amizade em peça

Espetáculo é apresentado neste sábado (23) e domingo (23) no Teatro RioMar

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 23/03/2019 às 8:00
João Caldas/Divulgação
Espetáculo é apresentado neste sábado (23) e domingo (23) no Teatro RioMar - João Caldas/Divulgação
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Diante da opulência de um recém-construído Taj Mahal, dois amigos com visões diferentes de mundo, mas unidos pela cumplicidade e pela opressão exercida pela rígida estrutura de poder da Índia do século 17, passam a debater sobre assuntos até então inquestionáveis. Os caminhos desses homens e as consequências de seus atos são o mote de Os Guardas do Taj, peça com Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi, que é apresentada neste sábado (23) e domingo (24) no Teatro RioMar.

Escrita pelo dramaturgo estadunidense Rajiv Joseph, a peça foi traduzida para o português por Rafael Primot, que assina a direção ao lado de João Fonseca. Primot já desejava levar o texto aos palcos junto a algum amigo e a ideia ganhou novo fôlego quando abraçada por Gianecchini e Tozzi, que desejavam voltar aos palcos com um projeto que os tocasse e também celebrasse suas afinidades.

“Giane e eu somos amigos há 15 anos. Somos, também, muito conectados com a espiritualidade e quando terminamos de ler o texto tivemos certeza que tínhamos que montar aquela peça. Por conta do nosso laço, não precisamos nos esforçar para encontrar a amizade estabelecida entre os personagens no texto, que é muito forte. O difícil desse processo foi fazer com que os elementos daquela época remota, linguagem, valores diferentes, se comunicassem com o público hoje. Fazer aqueles dois caras existirem de uma forma muito espontânea”, explica Ricardo Tozzi.

Na peça, ele interpreta Babur, personagem movido pela emoção e curiosidade de explorar a vida, enquanto seu amigo de infância, Humayun (Gianecchini), é rígido e obediente. Ambos exercem a função de guardas no Taj Mahal, maravilha arquitetônica cercada de lendas. Uma delas – sobre a qual a dramaturgia se constrói – fala da crueldade exercida por aqueles que estão no poder e das contradições entre a beleza (a edificação é uma das sete maravilhas do mundo) e o horror da violência.

Proibidos de olhar para o Taj Mahal, eles também são obrigados a executar uma ação que causará danos permanentes a outras pessoas. Executar cegamente as ordens ou rebelar-se contra elas é o principal dilema que os amigos precisam enfrentar.

ESCOLHAS

“A premissa maior do texto é questionar como você faz suas escolhas na vida. Obviamente, a gente tem que respeitar uma série de convenções, aspirações, desejos, dos pais, da sociedade. O mundo espera de você algumas coisa. Quando você para e pensa sobre a história desses dois caras, se questiona o que realmente importa na hora de fazer essas escolhas”, reforça o ator.
Esses dilemas morais são trabalhados no espetáculo de forma intensa, com os dois atores em cena durante toda a montagem.

Tozzi aponta ainda que a dramaturgia de Rajiv e a adaptação de Primot fazem com que essa jornada nunca soe didática, oscilando entre momentos de humor e também de reflexão densa.

O ator conta que a recepção da peça, cuja estreia ocorreu em Portugal, em 2017, tem emocionado muito a equipe e comprova que a temática tem caráter universal.

“Estamos passando por um momento terrível, amedrontador, da tentativa de reforçar velhos conceitos que já deveriam estar ultrapassados. O cenário para o teatro é trágico: ninguém valoriza a cultura, acham que nosso trabalho é supérfluo. Mas, o teatro pode fazer diferença na vida da pessoa de libertação de alma, enriquecimento de uma vida. A missão da arte é transformar, apresentar outras formas de existência. Fazer um paralelo com sua vida é o mínimo que vai acontecer após se deixar tocar por uma obra de arte”, enfatiza.

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