EXPOSIÇÃO

Infância reúne trabalhos de Nan Goldin, Cao Guimarães e Paula Trope

Com curadoria de Moacir dos Anjos, a mostra coletiva tematiza em vídeos a utopia política que pode ser a infância

Marina Andrade
Marina Andrade
Publicado em 07/03/2012 às 8:40
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De certa forma, todas as crianças enxergam o mundo a partir de um olhar utópico, idealizado, em que a vida ainda é um campo absoluto de possibilidades. Infância, exposição com curadoria de Moacir dos Anjos, é uma tentativa de procurar o poder de transformação presente na imaginação infantil. Com trabalhos da americana Nan Goldin, do mineiro Cao Guimarães e da carioca Paula Trope, a mostra tem sua abertura na quinta-feira (8/3), às 19h, na Galeria Vicente do Rego Monteiro, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) do Derby. A entrada é livre.

Parte do projeto Política da Arte, da Coordenação de Arte Visuais da Fundaj, a coletiva busca mostrar que, no distante lugar que a infância parece ser para um adulto, pode existir um questionamento das formas convencionadas de se ver o mundo. A ideia de mostra, segundo Moacir, surgiu quando ele se deparou com o vídeo de Nan Goldin, Fire leap (2010, 15 minutos), um slide-show com fotos saturadas e lúdicas retratando crianças (em algumas imagens, mulheres grávidas e adolescentes) em momentos de recreação e felicidade.

Cao Guimarães, por sua vez, colabora para a mostra com dois vídeos: Peiote (2007, quatro minutos) e Da janela do meu quarto (2004, cinco minutos). São gravações acidentais, frutos da conspiração do acaso, que retratam crianças sendo crianças a partir de suas ações singulares, do prazer de estar ali fazendo algo.

Paula Trope também trouxe dois trabalhos para a exposição – um deles, bastante semelhante na forma de exibição ao de Nan Goldin. Translados (1996-1998, 10’56’’), apesar de também ser um slide-show, traz fotos de crianças brasileiras e cubanas lado a lado, evocando a infância como um conceito sem geografia, capaz de unir os diferentes. Contos de passagem (2001, 15 minutos) traz entrevistas e gravações de crianças de rua no Rio de Janeiro, em que elas mostram a natureza genuinamente afetiva e natural da criança.

Até pelo tema do projeto, é inevitável tomar os vídeos como metáforas políticas. De certa forma, eles mostram que a imaginação da criança não vê os limites que a racionalidade e a materialidade adulta impõe. “A ideia da exposição é mostrar a infância como o momento em que outros futuros são possíveis”, explica Moacir. “As crianças são exemplos que o mundo poderia ser diferente”.

Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta quarta-feira (7/3)

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