30ª edição

Com cerca de 3 mil obras, Bienal de São Paulo é aberta ao público

Toda a obra pictórica do espanhol Benet Rossell estará disponível na exposição

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 07/09/2012 às 19:46
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O ninho dentro de uma gaiola é uma obra emblemática do artista Arthur Bispo do Rosário, na opinião do curador da 30ª Bienal de São Paulo, Luis Pérez-Oramas. A peça está pendurada em meio aos tecidos cuidadosamente bordados, aos pequenos barcos de madeira e outras manifestações feitas com sucata e objetos cotidianos.

Mas o ninho engaiolado, a prisão antes do nascimento, é central na leitura de Oramas sobre Rosário, ex-marinheiro, que passou grande parte da vida em um manicômio no Rio de Janeiro. “Nós fizemos uma tentativa muito séria para tirar o Bispo dessa prisão da loucura. O Bispo não foi grande porque foi louco, o Bispo foi grande porque foi inteligente”, explica o curador. “A loucura quase sempre é a exacerbação da inteligência”, comenta.

A produção de Rosário tem destaque entre as cerca de 3 mil obras de 111 artistas que compõem a exposição deste ano, aberta nesta sexta-feira (7) ao público. “Você tem essa grande presença do Bispo como um estruturador de, ao menos, um dos capítulos da Bienal, que é a questão da linguagem. A relação sempre aporética, paradoxal, contraditória, desequilibrada entre a linguagem e o visível”, acrescenta Oramas.

“É um tipo de processo que quase prescinde da linguagem, cria outras formas de linguagem. E isso é quase uma obsessão nossa como ser humano”, completa o curador associado André Severo.

Sob o motivo A Iminência Poética, a bienal deste ano reúne diversas manifestações artísticas, como toda a obra pictórica do espanhol Benet Rossell. Os quadros, no entanto, estão todos embalados em plástico bolha, numerados e organizados em um modelo de armazém, de modo que só é possível ver relances das telas inspiradas na caligrafia chinesa e nas pinturas rupestres.

Entre as obras também está a instalação do turco Ali Kazma, que produziu uma série de vídeos que parecem comparar uma cirurgia cerebral a linhas de montagem. Já o artista peruano Edi Hirose retratou, com fotografias de objetos, cenas e pessoas, o cotidiano rural e da periferia de seu país.

Essa produção variada atraiu a atenção de um público de diversas idades no primeiro dia da mostra e, inclusive, de fora da capital paulista. O estudante de jornalismo Felipe Ungarelli conta que achou a bienal diferente de tudo que já havia visto em Goiânia, cidade onde vive. “Muita coisa com que eu não estou acostumado. Mas é uma outra perspectiva de mundo, superinteressante”.

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