PALESTRA

Livro retrata pesquisa fotográfica e sentimental sobre o algodão

O projeto de Eliane Velozo, com imagens em preto e branco, foi feio em Minas Gerais, nos Estados Unidos e em Togo

Do JC Online
Do JC Online
Publicado em 19/04/2013 às 6:52
Eliane Velozo/Divulgação
O projeto de Eliane Velozo, com imagens em preto e branco, foi feio em Minas Gerais, nos Estados Unidos e em Togo - FOTO: Eliane Velozo/Divulgação
Leitura:

Uma obra que nasceu da busca por uma memória, se ampliou por meio de um sonho e ganhou forma final com uma pesquisa antropológica. Sonho branco – trilogia (Edição do autor, 160 páginas, R$ 80), livro da fotógrafa pernambucana Eliane Velozo, é a perfeita amostra do percurso de um projeto, que vai desde o seu nascimento até os felizes acidentes e novos caminhos que ele toma. A obra ganha lançamento nesta sexta (19/4), às 19h, na Livraria Cultura do Paço Alfândega.

De início, o projeto surgiu como uma exposição fotográfica de Eliane, uma forma de homenagear seu avô pernambucano, que tinha uma minúscula plantação de algodão no interior do Estado. A primeira jornada do livro, a familiar, descreve essa relação com o passado pessoal, com fotos feitas em uma fazenda na cidade mineira de Oliveira. A segunda, fruto de um sonho, a levou para a cidade de Slaton, nos Estados Unidos, em uma percurso cheio de coincidências e espiritualidade. Por fim, ela foi para Togo, acompanhar os traços ancestrais do plantio do algodão.

Aqui, Eliane lança o livro de fotografias, com 50 imagens em preto e branco feitas com câmeras analógicas e depoimentos seus e de colegas. A obra tem edição bilíngue, com tradução para o inglês. Além disso, ela fará uma palestra sobre Sonho branco.

Veja um trecho do livro Sonho branco:

Jornada familiar

Dedicada a meu avô, Manu de Melo

No projeto Sonho branco, iniciado em 2004, faço uma viagem da ancestralidade ao futuro próximo, este que vivo a cada momento e que ao percebê-lo já se tornou passado.

Busco a história da ancestralidade na observação do planeta terra e de alguns dos seus componentes com os quais mais me identifico: a mãe terra, meu ancestral mais conhecido, querido e idoso; a mãe água, que está 70% de mim, e as matas, que me equilibram na vida metropolitana, permitem-me continuar respirando e orientam-me como ser ecológico.

No percurso dessa viagem homenageio a família de onde vim e trato o algodão como ouro branco, este ouro que sempre aqueceu e aquece, alimentou e alimenta tantos seres, por toda a história da humanidade.

Busco as zonas de contato com o ancestral o atual e o futuro, através dos territórios da memória, colocando as experiências pessoais (locais) como estrada, caminho, para o coletivo (global).

E, essencialmente, acredito que a observação acurada de minha história individual, da história de nossa gente, e de toda a humanidade, concorre para um exercício de cidadania e construção de uma sociedade mais ética, pacífica e feliz.

Penso a história e a cultura como margens, horizontes para minha expressão artística e a trajetória contínua, e o Sonho Branco um motivo para minha viagem.

Leia mais no Jornal do Commercio desta sexta (19/4)

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