Censura?

Santander Cultural cede à pressão e cancela mostra sobre sexualidade

Grupos como o MBL pediram e a instituição acabou com a mostra Queermuseu

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 11/09/2017 às 15:05
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Grupos como o MBL pediram e a instituição acabou com a mostra Queermuseu - FOTO: Reprodução
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São 85 artistas no elenco, entre eles, nomes do primeiríssimo panteão das artes brasileiras, como Alfredo Volpi e Cândido Portinari. Aliás, seriam.

Após protestos de grupos conservadores, sobretudo do Movimento Brasil Livre (MBL), o Santander Cultural de Porto Alegre cancelou, no último domingo, a exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira”. A mostra deveria ficar em cartaz até o próximo dia 8 de outubro. Mas, diante da pressão, a instituição resolveu fechar a exposição no último domingo.

DESRESPEITO

Com cerca de 270 obras, a exposição buscava evidenciar a diversidade sexual da humanidade. “Uma exposição queer, que busca não ditar ou prescrever regras, discute questões relativas à formação do cânone artístico e a constituição da diferença na arte. Para esta plataforma curatorial levei em conta aspectos artísticos, culturais e históricos de cada trabalho”, disse o curador Gaudêncio Fidelis, no material de divulgação da mostra.

O Santander divulgou nota oficial sobre o cancelamento. “Entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”, justifica a nota. Mas a decisão acabou acendendo a fúria dos dois lados.

Na página oficial do Santander Cultural, tanto clientes ameaçaram cancelar suas contas no banco, como outros clientes, artistas e intelectuais acusam o instituto cultural do banco de estar sendo alvo e cúmplice de censura. A polêmica está instalada.

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