Cores

Aelcio Santos apresenta sua primeira exposição individual

Artista olindense mostra seus quadros naif na Galeria Arte Maior

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 12/07/2019 às 19:21
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Artista olindense mostra seus quadros naif na Galeria Arte Maior - FOTO: Divulgação
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Nascido e criado em Olinda, Aelcio Santos guarda com a cidade uma relação que vai além dos laços estabelecidos por um CEP. A cidade histórica exerce nele, desde muito novo, um fascínio por sua identidade cultural e pelas pessoas que fazem dela um espaço tão singular. Não por acaso, é ela sua maior musa, como evidenciam as telas de sua primeira exposição individual, que leva seu nome. A mostra está em cartaz na Galeria Arte Maior, em Boa Viagem.

A paixão de Aelcio pela arte se manifestou desde a infância, de forma autodidata, e foi tomando contornos mais delineados na adolescência. No colégio, passou a se dedicar ao desenho e seus traços logo chamaram a atenção dos grupos teatrais da instituição. Passou, então, a desenhar os figurinos e a confeccionar os painéis das peças.

Como um caminho natural, começou a se aproximar dos carnavalescos da cidade, que logo o puxaram para o universo festivo. Por anos, o artista se dedicou à produção de figurinos, estandartes e murais para agremiações carnavalescas como o Cariri, Vassourinhas de Olinda e a Escola de Samba do Preto Velho, entre outras.

“Na minha vida, as coisas foram acontecendo. Só fui me dedicar à pintura mesmo quando tinha uns 30 anos. Nessa época, eu estava pintando um mural para uma agremiação quando fui abordado por um marchand que perguntou se eu pintaria um quadro para ele. Topei, entreguei e, uma vez na parede dele, o trabalho chamou a atenção de algumas pessoas, que começaram a encomendar novos quadros”, conta o artista visual, hoje com 58 anos.

Sua pintura de estilo naïf gera comparações com Bajado, um dos artistas símbolos de Olinda. Aelcio Santos se diz lisonjeado com a lembrança, uma vez que é admirador do trabalho de Bajado, mas aponta que seu trabalho tem características próprias.

“Admiro muito Bajado, mas minha pintura vai por outro caminho. Trabalho com muitos personagens, às vezes 30, 50, e tenho meu próprio universo e repertório. Tenho um estilo muito popular, com muitas cores. Brinco com os pincéis, com as tintas”, enfatiza.

Apesar desta exposição ser sua primeira individual, Aelcio já participou de algumas coletivas, como três edições do projeto Arte Por Toda Parte. Para esta mostra, foram escolhidos trabalhos que evidenciam seu encanto por Olinda, com foco no Carnaval, em outros festejos populares e no cotidiano dos moradores da cidade.

AMOR POR OLINDA

O artista conta que, apesar de sua ampla vivência em Olinda, ainda faz questão de flanar diariamente, fotografando mentalmente temas para seus quadros.

“Ando a cidade toda e fotografo dentro da minha cabeça. Vejo a vendedora de acarajé na Sé, os pescadores na praia do Carmo, puxando a rede, e tudo isso transfiro para os meus quadros. Meu Carnaval é de assistir, de guardar na memória os bonecos, as fantasias, que depois levo para um caderno. Cada referência vai sendo trabalhada aos poucos, personagens se unem em cenas que monto posteriormente”, conta.

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