Resistência

'A Necessidade do Amor': Arte Plural Galeria abre exposição coletiva

Com curadoria de Júlio Cavani, mostra reúne nomes das artes visuais de Pernambuco

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 14/01/2020 às 10:51
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Brenda Alcântara/JC Imagem
Com curadoria de Júlio Cavani, mostra reúne nomes das artes visuais de Pernambuco - FOTO: Brenda Alcântara/JC Imagem
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A Necessidade do Amor, exposição coletiva que é aberta hoje e inicia o ciclo de atividades da Arte Plural Galeria em 2020, trabalha o sentimento em questão como um catalisador de possibilidades e transformação. Para o curador e jornalista Júlio Cavani, é sobre entender o amor como forma de resistência em contexto de crescimento de uma cultura do ódio a nível nacional e mundial. Múltipla na abordagem da temática, a mostra reúne trabalhos de nove artistas do casting da galeria, além de três convidados – Marcelo Silveira, Fefa Lins e André Nóbrega.

Para conceber a curadoria da exposição, Cavani primeiro se debruçou sobre o acervo da galeria e dos ateliês dos artistas e tentou identificar um tema que permitisse uma costura entre criadores de estilos, técnicas e gerações diferentes. Ele ressalta que apesar dessas obras não terem sido produzidas necessariamente com essa questão em mente, em conjunto elas são ressignificadas, possibilitando outras chaves de leitura.

“Diante de um certo contexto global e nacional, percebi que a questão do amor, da afetividade, do desejo, seria um tema interessante que daria para juntar esses trabalhos tão diferentes”, reflete. “Está havendo uma certa tentativa de (implantar) uma cultura do ódio, então acho que o amor e o desejo seria uma boa resposta para isso, muito inspirado também em outros movimentos históricos que seguiram este caminho, como o hippie, o movimento de 1968. Também artistas como John Lennon, Yoko Ono, líderes espirituais como Jesus Cristo, Buda, Sidarta, que adotam o amor como uma forma de resistência.”

Convidado para a mostra, Marcelo Silveira criou duas obras especificamente para a exposição. A primeira delas é exibida logo na entrada e trata-se de um projeto site specific – concebido a partir do espaço físico da galeria. Ele reúne fotografias adquiridas ao longo de três anos de garimpo em sebos e mercados de pulgas, expostas sobre uma estrutura de vidro. Os rostos dos retratados são recordados, recurso que cria um estranho e fascinante painel vazado com o poder fazer refletir sobre memória e temporalidade.

“É uma obra que trabalha relações de amor (alguém que pega essas fotografias e resolve trabalhar com elas) e desamor (daquele que se desfez delas). Tenho essa curiosidade sobre quem herdou aquelas imagens e a razão pela qual descartou”, explica Marcelo. “Ao recortar os rostos, tira-se o que identifica alguém, o que personaliza. Mas, colocadas lado a lado, também têm-se uma espécie de testemunho de um tempo, desde o estilo da fotografia até a moda da época, o corte de cabelo...”

MÚLTIPLOS OLHARES

Outra obra de Silveira em exposição é uma escultura em madeira flutuante, com duas superfícies ligadas por uma corda. As fotografias de Priscila Buhr, impressas em tamanho reduzido e acompanhadas de textos escritos a mão, convidam o espectador a uma aproximação mais intimista. A pintura de Fefa Lins, intitulada Voyeuristas, é um autorretrato da artista com sua companheira, na qual ela aparece empunhando um smartphone, que pode sugerir tanto uma captura do reflexo da cena, como um flagra daquele que as observa.

A intrincada e instigante Porta de Iemanjá, de José Barbosa, explicita a visão singular do artista visual, que talha uma figura feminina e religiosa na madeira, incorporando à madeira outros elementos, como pedaços de móveis. No trabalho que apresenta na mostra, Rinaldo também utiliza materiais não convencionais, como o carpete. A exposição conta ainda com trabalhos abstratos de Luciano Pinheiro, Antônio Mendes, André Nóbrega e do coletivo Vacilante; duas obras de Cristina Machado, artista que mescla barro e pintura com resultados belíssimos, Valeria Rey Soto e fotografia de Alcione Ferreira.

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