gastronomia

Morre, aos 77 anos, dona Mira, ícone gastronômico de Pernambuco

O Restaurante da Mira tornou-se referência em culinária regional e era frequentado por empresários, políticos, moradores dos mais variados bairros do Recife e turistas do Brasil e do mundo, atraídos pela fama de quituteira

JC Online
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Publicado em 23/12/2016 às 21:03
Foto: JC Imagem
O Restaurante da Mira tornou-se referência em culinária regional e era frequentado por empresários, políticos, moradores dos mais variados bairros do Recife e turistas do Brasil e do mundo, atraídos pela fama de quituteira - FOTO: Foto: JC Imagem
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O cenário gastronômico de Pernambuco perdeu um de seus ícones com a morte de Aldemira Pereira de Lima, 77 anos, em decorrência de um câncer de fígado, diagnosticado há vários meses. Em tratamento, Dona Mira, como era conhecida, faleceu nesta sexta-feira (23) à tarde no Hospital da Unimed, onde estava internada há uma semana. O velório será realizado neste sábado, a partir das 8 horas, no Cemitério de Casa Amarela, e o sepultamento acontecerá às 11 horas. O restaurante que levava seu nome só voltará a abrir a partir de quarta-feira.

O Restaurante da Mira, em Casa Amarela, tornou-se referência em culinária regional e era frequentado por empresários, políticos, moradores dos mais variados bairros do Recife e turistas do Brasil e do mundo, atraídos pela fama de quituteira que ela construiu aos poucos e com muito esforço. Mira começou na profissão vendendo comida nas feirinhas típicas do Derby e da Praça do Entroncamento. Estimulada pelos elogios recebidos dos clientes, Mira decidiu abrir o seu negócio, instalando-o em sua própria residência, na Avenida Doutor Eurico Chaves, 916.

A fama foi crescendo e, com ela, o restaurante, que terminou por ocupar todo espaço antes compartilhado também com a família. Mãe de seis filhos, dois dos quais estão mais à frente do seu legado – Humberto, que aprendeu os segredos e receitas da mãe, e Edmilson, que recebe com hospitalidade hereditária no salão -, Mira investiu no que sabia fazer: comida caseira, reconfortante, de qualidade, proporcionando uma experiência inesquecível por entre os sabores pernambucanos àqueles que a procuravam. Ir ao restaurante da Mira passou a ser mais do que buscar um local para fazer uma refeição. Tornou-se uma vivência única, baseada na personalidadede sua proprietária – efusiva, acolhedora e espontânea – que chegou até a criar um dialeto próprio: o “miranês”. Não era um restaurante, era o consulado da Mira, e, lá, a vida ganhava contornos de uma autenticidade única.

Tradição no Cosme e Damião

Queridíssima pela comunidade, Aldemira fazia a alegria das crianças no dia 27 de setembro, dedicado aos santos Cosme e Damião, preparando sacolinhas de guloseimas, uma prática que manteve por mais de 40 anos, tempo de existência do restaurante. “Tenho uma devoção muito forte aos santos, farei a festa até quando Deus quiser”, declarou dona Mira, em entrevista ao Jornal do Commercio em 2014. Nesta ocasião, que a grande dama da gastronomia reputava como a mais feliz do ano, ela distribuía dezenas de brinquedos, doces e enxovais de recém-nascidos com os moradores de Casa Amarela e de outros bairros do Recife. “Vem gente de todo lugar”, comentava dona Mira, na sala decorada de verde e vermelho, as cores dos santos.

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