Japonês

Restaurante Yunika traz o sushi de esteira ao Recife

Avaliamos novo restaurante japonês da cidade: estreia acima da média

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 19/01/2017 às 6:30
Foto: Divulgação
Avaliamos novo restaurante japonês da cidade: estreia acima da média - FOTO: Foto: Divulgação
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Conceito celebrado em pontos de difusão mundial como Nova Iorque, Londres ou, claro, Tóquio, o sushi de esteira demorou para chegar ao Recife – esta nossa velha cidade onde os nacos de arroz sob peixe cru, mais populares até do que acepipes identificados como regionais (quem sai para comer buchada ou sarapatel toda semana?) podem ser encontrados de endereços sofisticados a simples padarias de bairro. A espera acabou com o restaurante Yunika.

Por iniciativa do casal Tiago Barros e Sheila Cavalcante, agora sócios, algo meio que inevitável desde que, pós-adolescentes, guiavam suas viagens de acordo com a possibilidade de garimpar novos e instigantes restaurantes orientais a seus passaportes gourmet, a cidade conta agora com uma casa de kaiten sushi. Montado numa estrutura ao mesmo tempo contemporânea e aconchegante acoplada a um antigo casarão da Tamarineira, o Yunika começa suas atividades fazendo gol. Estreia com personalidade na cartografia que, salvo algumas gloriosas exceções, anda meio vulgarizada pelos excessos nivelados pela baixa qualidade dos rodízios que viraram regra na comida japa da cidade.

Antes da comida, o lugar: a casa nos ganha de cara pela ambiência. Em vez de destruir e refazer, como tem sido mantra, o projeto arquitetônico é feliz em aproveitar e integrar os vãos do casarão onde funcionou a livraria Arraial (hoje uma loja). Na lateral, temos um aprazível terraço-varanda ao ar livre. Das mesas, além do céu da cidade, vemos o movimento da Estrada do Arraial. Na parte interna e devidamente refrigerada, o restaurante exibe um altíssimo pé direito, paredes em roxo vibrante, marcadas por uma escultura vertical que nos lembra uma espécie de árvore de hashis, os tradicionais talheres em forma de palitos. Nem alta, nem baixa, a música, moderninha, também ajuda no vagar nos pensamentos.

A grande atração da casa está mesmo colada à parede direita de quem entra pela parede envidraçada, como um braço contíguo ao balcão do sushiman. Nos sentamos nos bancos altos e, convencidos pelo visual do que vem rolando pela esteira, nos encorajamos a pescar um dos acepipes. É um tipo de serviço para quem não quer a convivência excessiva de quem se instala diante do sushiman, inquirindo e acompanhando cada corte, mas confia no chef ao ponto de receber, às escuras, o que ele nos oferece - embora, claro, os garçons bem treinados para explicar o que passa pelo caminho nos pergutem se temos restrições ou preferências a fim de guiar o profissional. 

A ESTEIRA

A esteira começa a se mexer e chegam enrolados laranjas de salmão com um pouco de arroz e crocante de couve, a carne de sabor reforçado por um tarê ligeiramente adocicado. Em seguida, peixe branco com arroz de sushi e shimeji, um sabor maravilhosamente untuoso, algo terroso. Massudo, um maki de salmão enrolado em massa de tapioca. Para refrescar, pedimos um mishoshiro: bem mais leve que a média, feito com acelga fresca e uma pasta pouco fermentada de soja. Na sequência, o atum, vermelho fresquíssimo, aparece em formatos estimulantes. Enrolado com shitake e aspargos frescos, divinoso, ou em dose dupla: atum com tataki (picadinho) do peixe vermelho com tarê suave, azeite de gergelim, gengibre e cebolinha. Os sushis são como devem ser: pequenos, de caber de uma vez na boca. Cada porção custa entre R$ 10 e R$ 20.

Podemos também, se aguentarmos, nos sentar à mesa para o serviço convencional - em que (de novo) o tartar de atum, levemente spicy, é um regalo, e há combinados para todos os tamanhos de fome, temakis, chapas quentes, ótimos guiozás de massa fininha de arroz e tempurás sequinhos. Pra atender o paladar comercialmente mais comum, não faltam preparos com o uniformizador e enfadonho cream cheese – mas, eles, felizmente, não comprometem o vigor e a elegância do cardápio sensatamente ousado do Yunika.

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