Gastronomia autoral

Thiago das Chagas leva sua cozinha ao Pátio de São Pedro

No minúsculo restaurante São Pedro, ele explora com maestria frutos do mar

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 04/04/2018 às 18:59
Wagner Ramos / Divulgação
No minúsculo restaurante São Pedro, ele explora com maestria frutos do mar - FOTO: Wagner Ramos / Divulgação
Leitura:

Diante da igreja secular, uma porta verde e alta, discreta, entre os bares e restaurantes mais antigos do pátio. Atrás dela, Thiago das Chagas, o jovem chef que faz sucesso com sua cozinha verdadeira de terroir no Retetéu, exibe agora o que sabe do mar. No Pátio de São Pedro, acaba de inaugurar seu restaurante São Pedro. Ainda que minúscula, a casa tem tudo para se tornar tão cultuada quanto a outra mantida por ele, mais focada nos insumos do interior, na Zona Norte do Recife. O São Pedro nasce com áurea de clássico.

O cardápio é tão diminuto quanto o ambiente. No salão-corredor de piso de cimento queimado, móveis discretos, paredes brancas, pé-direito alto, são apenas 16 lugares. O intimismo compensa também nas panelas. Cada um dos cinco ou seis pratos disponíveis por almoço sai da cozinha com o máximo do carinho artesanal. O próprio chef, respaldado por um auxiliar, cuida da elaboração de cada um.

No São Pedro, Thiago das Chagas, como era de se esperar, respeita cada um dos preceitos do Slow Food, o movimento surgido na Itália dos anos 1990 que, mundializado, preconiza o máximo respeito à sazonalidade e à cadeia local de insumos e produtores. Terroir, para o chef, não significa apenas apresentar o melhor dos pescados trazidos do Litoral Norte, onde ele mantém uma já antiga parceria com pescadores e coletores de mariscos. Mas também entender que o próprio Pátio de São Pedro têm suas implicações em termos no binômio gosto x tradição.

DE BACIA

Nas margens do Mercado de São José e ruas adjacentes que já figuraram historicamente como cinturão de abastecimento do Recife, o camarão seco, salgado, é item obrigatório na paisagem. Assim, o chef se abastece com uma das mais antigas comerciantes locais da iguaria para fazer uma salada de “camarão de bacia” (R$ 24) de fazer a igreja local soar os sinos. Grande, o crustáceo é servido sobre favas, feijão verde, ervas e maxixes em vinagrete unidos por um aiolí caseiro. O sabor marinho em contraste com a untuosidade cítrica é de nunca mais esquecer.

Além de um caldo de frutos do mar (R$ 8,90), é possível, com sorte, encontrar uma porção de siris moles fritos na manteiga: a depender do bom humor das marés. De certo e já clássico, está um baião de dois com peixe empanado: feijão e arroz carolino, que absorve muito caldo, deliciosamente unidos com nata fresca. Arrebatador. O outro naticlássico da casa é um arroz, submerso em caldo, de carne de caranguejo, decorado com patolas empanadas. Servido numa paella, suficiente para dois (R$ 60). O Pátio de São Pedro, fonte um tanto esquecida da história do Recife, acaba de ganhar um discreto e delicioso capítulo de sua história gastronômica. Ainda que funcionando, por enquanto, apenas para almoço (11h -15h), de segunda a sexta.

Restaurante São Pedro. Rua das Águas Verdes, 52, Pátio de São Pedro, Recife. Fone: 3224-0129.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias