Cinema

Ministério da Cultura é criticado durante o CineOP

Cerca de 20 mil pessoas compareceram ao CineOP, fórum que luta pela preservação do cinema nacional

Ernesto Barros
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Ernesto Barros
Publicado em 26/06/2012 às 12:38
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OURO PRETO (MG) – Depois de cinco dias de intensos debates sobre os caminhos da preservação da memória audiovisual brasileira, além da exibição de 70 filmes nacionais, terminou anteontem a maratona da 7a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), em Minas Gerais. De acordo com o balanço da Universo Produções, que organiza o evento, cerca de 20 mil pessoas tiveram acesso à programação gratuita da CineOP.

 Entre os vários destaques do último dia, um dos mais importantes foi um workshop com a participação do crítico e cineasta francês Alain Bergala, que falou sobre a importância do cineclube e da cinemateca como formação audiovisual dentro e fora da escola. Para um auditório lotado, ele contou como a cultura cinematográfica floresceu e se consolidou na França a partir do fim da Segunda Guerra Mundial.

 O último dia da CineOP foi marcado também pelas resoluções saídas do Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Visuais Brasileiros. Na Carta de Ouro Preto 2012, divulgada pela entidade após 13 seminários, que tiveram a participação de 95 profissionais representantes de 65 instituições, os dirigentes afirmaram que “entendendo a preservação audiovisual como um dos instrumentos mais importantes de nosso tempo para a construção da cidadania e da cultura, os presentes ao encontro trocaram informações, perspectivas, pontos de vista e experiências que mais uma vez indicaram a importância deste fórum e o valor da participação democrática como ferramenta para uma sociedade socialmente justa e culturalmente desenvolvida”.

 Durante os debates, não faltaram críticas ao Ministério da Cultura, principalmente em relação à centralização da atual gestão. O professor Cezar Migliorin, da Universidade Federal Fluminense – UFF, que participou do debate O cinema brasileiro e a educação, foi cáustico nos seus comentários. “Projetos como o DocTV, Revelando os Brasis e tantos outros, que atingiam todos os Estados da Federação, estão sendo descontinuados, enquanto os resultados dos últimos editais do Ministério mostram uma concentração absoluta em projetos da região Sudeste”, relatou.

 Além das discussões sobre questões sobre preservação e educação, a CineOp também foi pródiga na exibição de filmes. No último de exibições no Cineteatro Vila Rica,  o público pode assistir, numa cópia estalando de nova, o clássico Assalto ao trem pagador, de Roberto Farias. Homenageado ao lado do irmão, o ator e diretor Reginaldo Faria, o cineasta teve sua obra reavaliada e colocada com uma das mais importantes do cinema brasileiro.

Outro filme também muito aplaudido foi o curta-metragem Coutinho repórter, de Rená Tardim, em que o documentarista de Cabra marcado para morrer discorre sobre o período em que trabalhou na telejornalismo da TV Globo, fazendo reportagens Brasil afora, especialmente no Nordeste. A cerimônia de encerramento contou com a presença dos alunos das oficinas. Eles receberam certificados e tiveram seus trabalhos exibidos. No final, o longa-metragem Jorge Mautner – o filho do holocausto, de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt, encerrou a maratona cinematográfica da histórica cidade mineira. Mas a festa continuou pela madrugada com dois shows no Centro de Convenções.

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