CINEMA

Paulo Caldas faz antimelodrama em País do desejo

Longa estreia nesta sexta (25/12) em cinemas do Recife e Jaboatão dos Guararapes

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 24/01/2013 às 6:45
Fred Jordão/Divulgação
Longa estreia nesta sexta (25/12) em cinemas do Recife e Jaboatão dos Guararapes - FOTO: Fred Jordão/Divulgação
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Os personagens principais de País do desejo, quarto longa-metragem de Paulo Caldas, que estreia nesta sexta-feira (25/01) em circuito nacional, dirigem carros de luxo, vivem em apartamentos suntuosos e frequentam teatros de arquitetura neoclássica. A paisagem, para quem conhece, é facilmente identificável: porções do Recife e de Olinda.

No filme, no entanto, as cidades se chamam Pasárgada e Eldorado – paragens míticas e idílicas incrustadas no imaginário latino-americano. É nessa contrafação urbana, distante da imagem que se veicula das duas cidades – apesar de ainda apresentar um ligeiro recorte rural –, que se desenvolve o enredo de País do desejo.

Não é um história comum, mesmo que o roteiro feito a seis mãos por Paulo, Pedro Severien e Amin Stepple diga o contrário. Filiada à tradição do melodrama – ainda presente na TV, mas muito pouco no cinema –, o filme põe em cena um encontro amoroso dos mais raros: o amor de um padre (Fábio Assunção) por uma mulher (Maria Padilha), uma pianista doente.

Mas, Paulo Caldas não vai direto ao assunto, nem se derrama romanticamente. Ao contrário, ele passa ao largo das convenções do gênero, fazendo um antimelodrama. Sua narração é mais voltada para os olhos do que para o coração do espectador. Antes de colocar o padre e a pianista cara a cara, ele cria um paralelismo para antecipar o envolvimento deles: closes dos marcantes olhos verdes de José (Assunção) e Roberta (Maria).

Além dessa trama, que se mostra como sua espinha dorsal, País do desejo trata também das disputas entre o padre e um Arcebispo. Eles têm posições divergentes num caso de aborto envolvendo uma menina de 12 anos, o que acaba impelindo o padre no caminho do abandono da batina.

Outros personagens, como uma enfermeira japonesa que lê mangás eróticos e come hóstias com ketchup, também criam uma estranheza ao ambiente. Uma pena que certa ligeireza ao tratar dos temas acabe prejudicando o filme, deixando-o com uma sensação de incompletude.

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