CRÍTICA

Jersey Boys: Em busca da música é um novo triunfo de Clint Eastwood

Filme conta história do grupo Frankie Valli e The Four Seasons

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 26/06/2014 às 6:00
Warner Bros/Divulgação
Filme conta história do grupo Frankie Valli e The Four Seasons - Warner Bros/Divulgação
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Há 35 anos, Clint Eastwood fez um filme que marcou uma virada em sua carreira como diretor de cinema. A partir de Bird, a biografia de Charles Parker, grande parte da crítica passou a ver com novos olhos o que o ator e diretor vinha fazendo desde o começo da década de 1970. Agora, na provecta idade de 84 anos, Eastwood volta ao universo do show biz com a adaptação de um musical de sucesso da Broadway. Jersey Boys – Em busca da música, seu 34º longa-metragem, estreia nesta quinta-feira (26/06) no Brasil, uma semana após ser bem-recebido por crítica e público nos Estados Unidos.

Pianista e músico bissexto, Clint Eastwood sempre acreditou que o jazz e o western eram as duas maiores expressões da cultura americana. Coincidência ou não, a biografia musical do cantor franco-italiano Frankie Valli e da banda The Four Seasons, que surgiram no final dos anos 1950, trouxe um frescor narrativo à obra mais recente de Eastwood só comparável à estrutura em flashbacks de Bird. Seguidor da linguagem clássica, ele faz seus filmes para serem vistos por todos, sem complicações estéticas ou qualquer tipo de presunção.

Mas, sem abandonar completamente seus princípios, Eastwood alcança um equilíbrio surpreendente em um filme que se encaminha como uma ciranda de emoções, com Frankie Valli e os integrantes do Four Seasons contando suas próprias histórias direto para o olho da câmera e do espectador. Usado com parcimônia, o recurso se mostra bastante adequado às verdades e às mentiras engendradas por um grupo de amigos ao longo de quatro décadas de sucesso, traições, decepções e desistências.

Embora o roteiro de Marshall Brickman e Rick Elice, que também respondem pelo texto teatral, dê espaço para todos os membros do grupo e vários personagens secundários, é sobre Frankie Valli que o filme gravita. Filho de imigrantes italianos pobres, Francis Castellucio nasceu abençoado pelas musas gregas com uma voz divina. Não à toa, o rapaz se espanta com a própria voz quando canta dentro de uma igreja.

Aos poucos, o pequeno e tímido Frankie vai se impondo como vocalista no grupo criado pelos amigos Tommy e Nick, dois pequenos gângsteres que, graças à música, dividem a adolescência entre a cadeia e os palcos de pequenos bares de Nova Jérsei. O sucesso, porém, só viria com a entrada no grupo do compositor e pianista Bob Gaudio, que nasceu do outro lado da cidade, longe da vizinhança italiana de Frankie, Tommy e Nick. 

Com a chegada de Gaudio, o grupo estoura com a canção Sherry e centenas de outras, como Big girls don’t cry, Walk like a man e December 1963 (Oh, what a night), entre outras. Durante a carreira solo, Frankie ainda teria o hit Can´t take my eyes off you. No final dos anos 1970, ele voltaria ao sucesso no revival patrocinado por Grease – Nos tempos da brilhantina, em que cantava a música tema.

Sem dar bola para facilidades, Eastwood preferiu trazer os jovens atores/cantores do musical para interpretar seus personagens no cinema. John Lloyd Young (Frankie), Vicent Piazza (Tommy), Michael Lomenda (Nick) e Erich Bergen (Gaudio) estão presentes em quase todas as cenas. O ator mais experiente a contracenar com eles é Christopher Walken, que empresta sua autoridade para encarnar um gângster. Dirigido com classe e inteligência, Jersey Boys é outro ponto alto na carreira de Clint Eastwood. Vamos rezar para ele passar dos 100 anos.

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