CRÍTICA

Uma relação delicada, de Catherine Breillat, estreia no Cinema da Fundação

Longa foi um dos pontos altos do Festival Varilux deste ano

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 26/06/2014 às 6:00
Tucumán Filmes/Divulgação
Longa foi um dos pontos altos do Festival Varilux deste ano - Tucumán Filmes/Divulgação
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Já no Cinema da Fundação, o outro filme francês em estreia, também a partir desta quinta-feira (26/6), é o forte Uma relação delicada, de Catherine Breillat, certamente o melhor longa exibido no Festival Varilux deste ano.

Não era para menos, quem conhece a cineasta sabe do que ela é capaz. No final dos anos 1990, ela iniciou a moda de incluir cenas de sexo explícito em filmes de arte. Em Romance, o pornô star italiano Rocco Sifreddi consola uma jovem que, apesar de amar e viver com o namorado, abre-se para outras experiências carnais e psicológicas. Dona de uma filmografia de 13 longas-metragens, construída numa carreira beirando os 40 anos, Catherine Breillat é a cineasta mais importante da França nos dias de hoje.

Há algo de semelhante a Romance em Uma relação delicada. Catherine convidou o cantor de rap Kool Shen para contracenar com Isabelle Huppert. De alguma maneira, poderíamos pensar que se trata de um filme autobiográfico, pelo menos em certas partes. Huppert interpreta Maud, uma cineasta. Ela sofre um AVC e fica com metade do corpo comprometido.

A relação delicada a que o título alude é o encontro entre Maude e Vilko, o escroque vivido por Shen. Um dia, ela vê o cara falando bravatas na TV e acredita que ele é o ator ideal para o seu próprio filme. O que se segue, no entanto, é uma relação esquisitíssima entre os dois: sem sexo e sem qualquer aproximação física. Vilko começa a tirar dinheiro da mulher até deixá-la sem um tostão. Sem julgamento, Catherine gera desconforto com filme e personagens complexos. 

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