CINEMA

Jim Jarmusch conta história de vampiros cultos em Amantes eternos

Longa entra em cartaz nesta quinta-feira (21/8) no Cinema da Fundação

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 21/08/2014 às 6:00
Paris Filmes/Divulgação
Longa entra em cartaz nesta quinta-feira (21/8) no Cinema da Fundação - FOTO: Paris Filmes/Divulgação
Leitura:

Jim Jarmusch já foi o cineasta mais cool do planeta. Na década de 1980, seus filmes eram o suprassumo do cinema e da pós-modernidade. Estranhos no paraíso (1984) e Daunbailó (1986) são clássicos daqueles anos em que o mundo parecia está perto do fim, com seus personagens desesperançados e à deriva.

O novo filme de Jarmusch, que está com 61 anos, estreia hoje no Cinema da Fundação. Amantes eternos (Only lovers left alive, GBR/ALE/GRC, 2013) é um filme de vampiros como você nunca viu antes. É impossível fazer qualquer comparação com a leva de filmes e de séries de TV que surgiram nos últimos anos.

Os amantes aos quais o filme se refere é um casal de vampiros que, apesar de casados, vivem separados. Jarmusch deu nomes bíblicos e seminais para eles. Adão e Eve vivem há mais de 500 anos e estão mais do que cansados do mundo moderno. Em suas conversas, eles lembram do passado e dos companheiros que deixaram para trás – poetas, escritores e músicos como Mary Shelley, Lord Byron e Johannes Brahms.

Adam e Eve são interpretados por Tom Hiddleston (o Loki da franquia Thor) e Tilda Swinton (a cult atriz dos filmes de Derek Jarman). Adam é uma espécie de músico. Numa Detroit com aparência pós-apocalíptica, ele ouve discos de vinil, compra guitarras vintage, compõe canções soturnas e compra sangue em um hospital. Em Tânger, no Marrocos, Eve se assemelha a uma hippie, vagando por becos e se encontrando com ninguém menos do que Christopher Marlowe, o poeta inglês que foi contemporâneo de William Shakespeare. O veterano John Hurt (O homem elefante) faz um composição genial do personagem.

Eve volta para Detroit a pedido do depressivo Adam. A chegada da irmã dela, a jovem Ava (Mia Wasikowska), leva um pouco de caos à vida deles, mas nada que modifique o inelutável destino que parece se avizinhar. Eles voltam à Tânger na esperança de encontrar uma saída para continuar em um mundo que não mais lhes pertence.

Com personagens mais verborrágicos do que o normal de seus filmes, Jarmusch capricha nas palavras. Mas não esquece das imagens, claro. Ele compõe planos lindíssimos, como travelings circulares e laterais que remontam a seus primeiros filmes. Como sempre, ele traz poesia para o cinema.

Últimas notícias