CRÍTICA

O homem que elas amavam demais não repete êxitos da dupla Techiné-Deneuve

Longa francês está em cartaz no Moviemax Rosa e Silva

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 29/05/2015 às 6:00
Mares Filmes/Divulgação
Longa francês está em cartaz no Moviemax Rosa e Silva - FOTO: Mares Filmes/Divulgação
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Ex-crítico da revista Cahiers du Cinema no final dos anos 1960, André Techiné é dono de uma vasta filmografia. O homem que elas amavam demais, em cartaz no Moviemax Rosa e Silva, é o 21º longa-metragem de sua carreira. O filme marca a sétima parceria entre ele e a atriz Catherine Deneuve, a grande dama do cinema francês. A dupla trabalha junto desde Hotel das Américas, realizado em 1981.

Dá para perceber logo que Techiné e Deneuve estão afinadíssimos neste misto de drama e filme policial. O homem que elas amavam demais conta a história de um rumoroso caso jurídico que abalou a França em 1976. Techiné está bem à vontade para mostrar como Maurice Agnelet (Guillaume Canet), um advogado arrivista, destrói a vida de duas mulheres, mãe e filha.

Elas são Renée (Deneuve) e Agnès La Roux (Adèle Haenel), do recente Amor à primeira briga, ainda inédito no Recife. Viúva, Renée administra o cassino Palais de la Méditerranée tendo Agnelet como seu principal assessor. Apesar de satisfeita com o trabalho do advogado, ela não se sente bem quando Agnelet se candidata à vaga de gerente do cassino.

Vinda da África, depois de se divorciar, a jovem Agnès volta a Nice para retomar a vida, mas principalmente requerer da mãe a parte de sua herança no cassino. Manipulador, Agnelet se envolve numa relação predadora com Agnès e acaba conseguindo que ela traia a própria mãe, que perde a presidência do empreendimento. Sem saber lidar com o que aconteceu, além do desprezo crescente de Agnelet, a moça tenta o suicídio. Depois, simplesmente desaparece.

A direção segura e consistente de Techiné, que sabe usar a câmera na mão como ninguém, faz de O homem que elas amavam demais um filme que se acompanha com interesse até que, de repente, algo parece desandar. De crônica de costumes, o cineasta cai no mais simplório filme de tribunal, quando Renée consegue trazer Agnelet, que deixara o país, para um julgamento na França.

A partir daí percebemos outros problemas no filme, como a escalação de Catherine Deneuve. Aos 71 anos, a idade dela não bate com a de Renée. Fica estranho quando ela aparece, 30 anos mais velha, apenas com o cabelo levemente acinzentado e se arrastando um pouquinho. Muito mal.

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