CRÍTICA

O Exteminador do Futuro: Gênesis volta aos cinemas nesta quinta-feira (2/7)

Arnold Schwarzenegger, um robô já velho, protege a mãe do salvador da humanidade

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 01/07/2015 às 8:19
Paramount Pictures/Divulgação
Arnold Schwarzenegger, um robô já velho, protege a mãe do salvador da humanidade - FOTO: Paramount Pictures/Divulgação
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O Exterminador do Futuro: Gênesis, que estreia nesta quinta-feira (2/7) em circuito nacional, é um filme que permite várias leituras. Pode ser visto, por exemplo, como a prova de que Hollywood se rendeu à falta de criatividade ­ representada por um sem número de continuações e refilmagens. Mas pode ser, também, uma homenagem ao cinema de ação da década de 1980, quando o gênero reinou absoluto e Arnold Schwarzenegger era um dos seus mais importantes ícones. Talvez seja a mistura do melhor de dois mundos, quem sabe.

Tanto é assim que, logo no início do filme, temos dois Schwarzeneggers se enfrentando numa luta titânica, ferrenha e barulhenta em que o som de seus corpos metálicos reverberam para além do tempo e do espaço. Afinal, estão ali, frente a frente, a versão velha ­ "não obsoleta", como o personagem repete mais de uma vez ­ e nova do robô que veio do futuro para matar Sarah Connor, a mãe de John Connor, o homem escolhido para salvar a humanidade na luta contra as máquinas.

Com essa ligação direta com O Exterminador do Futuro, realizado por James Cameron, em 1984, o filme dirigido por Alan Taylor (Thor: O Mundo Sombrio), foi feito para não deixar que novos e velhos fãs da franquia ficassem insatisfeitos. Não dá para esquecer que os quatro longas­metragens da franquia renderam até hoje a espetacular quantia de U$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 4,3 bilhões).

A partir dessa premissa, o que vemos em O Exterminador do Futuro: Gênesis é uma tentativa muito louca dos roteiristas Laeta Kalogridis e Patrick Lussier em fazer com que a timeline da luta entre humanos e máquinas, que vai e volta no tempo, não dê um nó na cabeça dos espectadores. Com algumas referências de O Exterminador do Futuro: A Rebelião das Máquinas (2003) e de O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009), a nova história segue a mesma linha do que aconteceu entre 1984 e 2017, um período que engloba as tramas dos longas de James Cameron (O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, de 1997) e a do novo filme.

No futuro, no ano 2029, com as máquinas prestes a dominar o mundo, John Connor (Jason Clarke, de Planeta dos Macacos: O Confronto) utiliza a máquina do tempo da Skynet para enviar o soldado Kyle Reese (Jai Courtney, da série Divergente) de volta a 1984. Ele irá proteger Sarah Connor (Emilia Clarke, do seriado Game of Thrones) do robô que foi mandado antes, que tem a missão de matá­la e, consequentemente, impedir o nascimento de John.

Kyle Reese e o Terminator (Schwarzenegger, refeito em computador para se parecer com o robô do primeiro filme da franquia) chegam em 1984, mas a realidade é outra. Sarah, ao contrário do que se esperava, tem como guardiã um exterminador que a acompanha desde 1973, que ela chama de "Papi" e vem a ser a versão atual de Schwarzenegger, aos 67 anos. Depois, eles são obrigados a pular para 2017, quando uma nova empresa, um embrião da Skynet, prepara­se para iniciar um sistema operacional que irá conectar todos os seres humanos, inclusive com os computadores das forças armadas.

Para complicar ainda mais a trama, de repente, John Connor aparece do futuro, só que numa versão ainda mais complexa e indestrutível do exterminador. Apesar da trama seguir sempre em frente e com inúmeras cenas de ação, algumas espetaculares, como a que acontece numa ponte em São Francisco e termina com um ônibus pendurado, O Exterminador do Futuro: Gênesis não se apoia muito em lógica para embasar sua história. Quando os fatos ficam obscuros, o exterminador­guardião explica o que aconteceu quando os outros personagens ainda não eram nascidos.

Nessa confusão em que o filme se transforma, o principal expediente dos roteiristas é proporcionar algumas cenas engraçadas com o robô velho interpretado por Schwarzenegger, que tem uma certa propensão à autoparódia. Para entrar no clima, Emilia Clarke faz de Sarah Connor uma adolescente graciosa e esperançosa, o que permite que a trama respire um pouco e não se repita tanto. De certa maneira, O Exterminador do Futuro: Gênesis exige que o espectador se comporte como se estivesse jogando um game em que é obrigado a vencer várias fases até zerar a história. Como a tarefa é um tanto cansativa ­ pelo menos para os espectadores mais velhos ­, é um alívio quando o filme termina.

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