CRÍTICA

Rua Cloverfield, 10 nem parece uma continuação

Longa-metragem estreia nesta quinta-feira (7/4)

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 06/04/2016 às 5:05
Paramount Pictures/Divulgação
Longa-metragem estreia nesta quinta-feira (7/4) - FOTO: Paramount Pictures/Divulgação
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Numa indústria ávida pelo lucro fácil e rápido, o conceito de continuação do longa-metragem Rua Cloverfield, 10, que estreia nesta quinta-feira (7/4), mostra que nem tudo está perdido em Hollywood. Embora pegue emprestado o título original de Cloverfield (no Brasil: Cloverfield – Monstro), um filme catástrofe realizado em 2008, o produtor J.J. Abrams – ele é um Midas, como prova a cada projeto – preferiu apostar numa espécie de universo paralelo entre as duas produções.

Apesar de sequer ter escrito uma linha de diálogo do filme, são visíveis as marcas dele. Pense em Poltergeist, o Fenômeno, de Tobe Hooper. Por mais talentoso que o cineasta de O Massacre da Serra Elétrica tenha demonstrado, as impressões digitais de Steven Spielberg, que produziu e escreveu o filme, estão mais visíveis que a de Hooper. O peso da influência é considerável, mas isso não chega a ser uma maldição para Dan Trachtenberg, um jovem diretor de comerciais de TV, que faz aqui seu primeiro longa-metragem.

Como tantos filmes recentes, principalmente os que se filiam ao cinema de gênero, Rua Cloverfield, 10 não se preocupa muito com a originalidade, embora isso não seja lá um grande problema. Entretanto, não dá para fugir da tentação de defini-lo como o encontro entre O Colecionador, de William Wyler, e Alien, o 8º Passageiro, de Ridley Scott, já que a personagem do filme é uma donzela em perigo da melhor estirpe cinematográfica.

Fragilizada por causa de uma briga com o namorado, a jovem aspirante a estilista Michelle (Mary Elizabeth Winstead, de À Prova de Morte e Scott Pilgrim Contra o Mundo) sai de casa e, surpreendida por um acidente na estrada, acorda prisioneira num bunker construído por Howard (John Goodman), um militar aposentado, que, aos poucos, lhe diz que há uma guerra lá fora, que o ar é irrespirável e que eles devem ficar trancafiados por pelo menos dois anos.

Bifurcado entre o horror dos filmes de reféns e o thriller, Rua Cloverfield, 10 trabalha em fogo lento até que as fagulhas tomam a tela. O roteiro sólido e a direção segura de Trachtenberg não deixam o espectador se dispersar, mas quem rouba a cena é Mary Elizabeth Winstead. Vestida com uma camisetinha colada no corpo, que não poucas vezes lembra a Ripley de Sigourney Weaver, a jovem atriz faz com galhardia a passagem de donzela em perigo para uma badass woman clássica, daquelas que se viram em segundos para salvar a pele.

Leia a crítica completa na edição desta quarta-feira (6/4) do JC+, no Jornal do Commercio.

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