CRÍTICA

Caça-Fantasmas agora é das mulheres

Remake do filme de 1986, que estreia nesta quinta-feira (14/7) volta com formação feminina

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 14/07/2016 às 5:53
Sony Pictures/Divulgação
Remake do filme de 1986, que estreia nesta quinta-feira (14/7) volta com formação feminina - FOTO: Sony Pictures/Divulgação
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A onda de remakes hollywoodianos não poupa a memória afetiva dos cinéfilos. A mais nova gritaria é dos fãs masculinos de Os Caça-Fantasmas, uma comédia dos anos 1980 que fez um sucesso estrondoso com uma mistura inusitada de humor, terror e ficção científica – tudo em doses calculadas para desopilar o fígado da plateia. Em 1989, três anos depois da estreia do primeiro filme, a ideia ainda rendeu a continuação Os Caça-Fantasmas 2.

No novo Caça-Fantasmas, que estreia nesta quinta-feira (14/7) em circuito nacional, os quatro membros do grupo que caçam ectoplasmas em Nova York foram substituídos por mulheres. De acordo com as reclamações dos espectadores saudosistas, um filme com mulheres no lugar de homens caça-fantasmas estaria roubando as memórias deles. Oi? Puro machismo ferido, claro. O novo longa, dirigido por Paul Feig, é de um respeito canino ao legado dos filmes dirigidos pelo canadense Ivan Reitman.

Praticamente, todos os envolvidos nos dois primeiros Os Caça-Fantasmas estão envolvidos em Caça-Fantasmas – a falta mais sentida é do ator e diretor Harold Ramis, que morreu em 2014, e a quem o filme é dedicado. Ivan Reitman, Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson e Sigourney Weaver estão de volta em pequenas participações em frente e atrás das câmeras, mas quem está no comando é o quarteto formado por Kristen Wigg, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones.

Regulares nos filmes de Feig, como no ácido Madrinhas de Casamento, de 2011, Kristen e Melissa estão em ponto de bala como as amigas, separadas, que nutriam um especial interesse em especulação sobrenatural quando jovens. A distância entre elas, porém, cai num passe de mágica quando Erin (Kristen) descobre que a amiga Abby (Melissa) ainda vende na internet um sobre livro sobre parapnormalidade que escreveram juntas. O problema é que Erin está em vias de ganhar uma vaga de cientista numa universidade séria.

Como as coisas degringolam para o lado dela, o fato é que Erin se junta à velha amiga, a Holtzmann (Kate McKinnon) e Patty (Leslie Jones), uma empregada do metrô, formando-se, então, o quarteto Caça-Fantasmas, uma empresa especializada em procurar manifestações fantasmagóricas em Nova York. De uma hora para outra, a cidade vê crescer o número de fantasmas devido aos trabalhos do esquisito Rowan (Neil Casey), que abriu um portal entre os vivos e os mortos e pretende causar um apocalipse.

Essa história nonsense é respeitosamente calcada nos filmes anteriores. Paul Feig mantem até a famosa canção de Ray Parker Jr. na abertura, o que, em tese, deveria agradar aos velhos fãs. Independente disso, Caça-Fantasmas é uma explosão de diversão do começo até o fim, com diálogos bem escritos, piadas reconhecíveis e quatro atrizes endiabradas o suficiente para fazer com que as cenas funcionem.

Embora dependa muito dos efeitos especiais – como os anteriores dependiam –, o filme não parece desproporcional, mesmo que a escala de Feig seja sempre grandiosa. Além disso, a participação de Chris Hemsworth (o Thor dos filmes da Marvel), como um cara bonitão e burro, não poderia ser mais interessante.

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